LITURGIA EM MUTIRÃO - CNBB

A CELEBRAÇÃO DO SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO
AO LONGO DA HISTÓRIA   FICHA 15

Frei Faustino Paludo, OFMCap
     
A Tradição da Igreja afirma que “Cristo instituiu o sacramento da Penitência para todos os membros pecadores de sua Igreja, antes de tudo para aqueles que, depois do batismo, cometeram pecado grave e com isso perderam a graça batismal e feriram a comunhão eclesial” (Catecismo, 1446). Jesus edificou sua tenda entre nós (Jo 1, 14) para revelar o amor misericordioso do Pai e reconciliar a humanidade com Ele.  Iniciou sua pregação conclamando à penitência: “fazei penitência e crede na Boa Nova” (Mc 1,15). Acolheu os pecadores, reconciliando-os com o Pai (Lc 5, 20; 7,48) e por fim, derramou seu sangue na cruz para o perdão dos pecados (Mt 26,28). Ao ressuscitar dentre os mortos,  enviou o Espírito Santo sobre os seus discípulos concedendo-lhes o poder de perdoar os pecados (Jo 20, 19-23) e os enviou para pregar a penitência e o perdão dos pecados (Lc 24,47). Portanto, o sacramento da Penitência se enraíza na vida e na prática de Jesus.

     A pregação vibrante da Boa Nova de Jesus pelos apóstolos fez com que a multidão clamasse: “irmãos, o que devemos fazer?”. Ao que Pedro responde: “arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos pecados” (At 2, 38). O batismo é o sacramento da primeira e fundamental conversão. O sacramento da Penitência representa a segunda conversão. “Salvos pelas águas do Batismo, nosso louvor se enfraqueceu pelo pecado que cometemos, mas o Sacramento da Reconciliação nos convida à penitência, nos renova na santidade” (cf Prefácio da Penitência, Missal Romano). Os Padres da Igreja  consideravam a Reconciliação um “batismo laborioso” (cf. Sacramentum Caritatis, n. 20).

O processo histórico do sacramento da Penitência passou por diferentes etapas no seu desenvolvimento ao longo dos séculos. Destacaram-se três etapas: a) uma penitência longa e rígida para quem tivesse cometido os pecados graves do adultério, da apostasia e do homicídio após o batismo. Os pecadores eram afastados da comunidade e acompanhados pela oração da mesma, enquanto cumpriam longas penitências. Após demonstrarem arrependimento pelos pecados cometidos, eram reconciliados e readmitidos na comunidade e na participação eucarística. Tal penitência só podia realizaR-se uma vez na vida. Suas exigências tinham por finalidade a conversão. b) a rígida penitência pública e canônica, aos poucos, foi sendo substituída pela confissão privada e comutativa. Trata-se de uma prática dos monges da Irlanda introduzida no Continente Europeu. Os pecadores confessavam seus pecados ao bispo ou ao padre, sempre que recaíssem no pecado.  Recebiam longas e pesadas penitências e somente depois de cumpridas é que recebiam a absolvição. As exigentes penitências podiam ser comutadas, isto é, substituídas por outras mais brandas, como a recitação dos salmos, peregrinações, doações etc.  c) por fim, a Igreja adotou a  confissão auricular. A confissão dos pecados, tanto graves como leves, era feita ao sacerdote no segredo do confessionário. O pecador declarava seus pecados, recebia uma palavra do confessor, era imediatamente absolvido e enviado ao cumprimento da penitência. 

As diferentes etapas que caracterizaram o processo histórico do Sacramento da Penitência  sublinham a atenção da Igreja para com seus membros pecadores que, arrependidos, desejam ardentemente retornar à comunhão com Deus e com os irmãos.  Assim chegamos ao Concilio Vaticano II que pede:  “o rito e as fórmulas da Penitência sejam revistos de tal forma que exprimam mais claramente a natureza e o efeito deste Sacramento” (SC 72). 

                Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:

1.              Por que ainda hoje se fala “no sacramento da confissão”?
2.              Buscando o sacramento da Penitência e da Reconciliação, o que mais as pessoas deveriam buscar e  celebrar?
3.              Como entender que Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Penitência e Reconciliação?
4.              Ler o Evangelho de João 20, 19-23.  



 



CELEBRAR A RETOMADA DO RUMO CERTO: EIS A QUESTÃO  (II)[1]     FICHA 14

Frei José Ariovaldo da Silva, OFM


Jesus e sua páscoa: revelação e presença vitoriosa do rumo reconciliador de Deus

Vimos no artigo anterior que João Batista pedindo a conversão e batizando. E não há de ver que o próprio Jesus, solidarizando-se com todo aquele povo, se faz batizar nas águas do Jordão, (cf. Mt 3,13-17; Mc 1,9-11; Lc 3,21-22; Jo 1,29-34)! E o que acontece? Aquele mergulho simbólico nas águas nos fala de Jesus como alguém nítida e totalmente mergulhado no Espírito de Deus. Tão mergulhado está, que nele não podemos ver outro senão o próprio Filho de Deus, o verdadeiro “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Já no início de sua missão, o próprio Jesus anuncia: “Completaram-se os tempos, está próximo o reino de Deus, convertam-se e creiam no Evangelho”.

E como aparece, na prática, que Jesus é o próprio Filho de Deus e, portanto, a expressão máxima do rumo de Deus? Pela sua radical solidariedade com o ser humano. Pela sua encarnação, vida, ações, palavras, sofrimento, morte, ressurreição e dom do Espírito, nós o vemos mergulhado “de cabeça” no abismo da nossa condição humana cheia de anjos e demônios, para nos libertar do pecado e da morte e nos reconciliar com Deus. Assim sendo, ele é o próprio rumo de Deus que nos liberta para a plena realização do ser humano: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (cf. Jo 14,1-14).

Aos que acreditam nesse Jesus e o assumem como o rumo mais certo, ele os perdoa e os cura, pois, sendo Filho de Deus, tem poder para isso (cf. Mc 2,1-12; 2,13-17; Lc 7,36-50; Jo 8,3-11). A Zaqueu ele anuncia: “Hoje a salvação entrou em sua casa”. É que Zaqueu, “chefe dos publicanos e rico”, considerado um “pecador”, vendo Jesus e acolhendo-o “com alegria” em sua casa, resolveu pegar o rumo de Deus, com a promessa de reparar os danos causados aos outros (cf. Lc 19,1-10). A parábola do Filho Pródigo representa bem a história de quem (podemos pensar no ouvinte da Palavra), ao perceber-se de repente “desnorteado” e “sem rumo”, retoma o rumo da casa do Pai e se vê amorosa e festivamente acolhido pelo Pai (cf. Lc 15,11-32).

A páscoa de Jesus (paixão, morte, ressurreição, ascensão e dom do Espírito) é a prova mais nítida e contundente da certeza do rumo reconciliador de Deus. Prova esta que foi transmitida aos apóstolos no dia da páscoa, para que a passassem adiante. Foi quando o ressuscitado soprou sobre eles dizendo: “Recebam o Espírito Santo. Se vocês perdoarem os pecados dos homens, serão perdoados. Se não lhes perdoarem, não serão perdoados” (Jo 20,22-23). E Pedro (após a “explosão do Espírito Santo” na festa de Pentecostes), depois daquele longo discurso falando da ressurreição de Cristo (cf. At 2,1-36), dá uma significativa resposta ao povo que indagava sobre o que então devia ser feito: “Arrependam-se e cada um de vocês seja batizado no nome de Jesus para a remissão dos pecados e vocês receberão o Espírito Santo” (At 2,38). Em outras palavras: Convertam-se, isto é, mudem de rumo; enveredem pelo novo rumo que definitivamente se instaurou pela páscoa, o do Reino de Deus. E como símbolo desta decisão de vocês, pelo qual vocês também são perdoados e admitidos no Reino, sejam batizados (mergulhados na água) em nome de Jesus Cristo.

Foi o que aconteceu, daí para frente. Como símbolo da conversão e entrada no rumo de Deus, e o conseqüente perdão dado por Deus por força da Páscoa, a pessoa era mergulhada na água. Inclusive, para que a decisão pudesse ser a mais madura possível, logo foi se instituindo nas comunidades cristãs um tempo de intenso exercício de conversão e acolhida do dom de Deus (período de catecumenato) antes de a pessoa assumir o rumo de Cristo dentro da comunidade eclesial.


Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:

1.         Por que Jesus quis ser batizado?
2.         Qual a atitude de Jesus para com os pecadores? O que mais lhe chama a atenção?
O que a realidade da Páscoa de Jesus, sua morte e ressurreição, tem a ver com a nossa reco


 



CELEBRAR A RETOMADA DO RUMO CERTO: EIS A QUESTÃO  (I)[2]    FICHA 13


Frei José Ariovaldo da Silva, OFM

O ser humano, “desnorteado”: chamado a retomar o rumo de Deus
De repente, o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus e vivendo num paraíso (cf. Gn cap. 1 e 2), se viu sem rumo, sem norte (“desnorteado”!), desequilibrado, muito inseguro, frágil e, ao mesmo tempo, prepotente, violento (e até mortalmente violento!), egoísta, dado à corrupção de todo tipo, sem serenidade na convivência social, muito confuso... É o que transparece já a partir das primeiras páginas a Sagrada Escritura (cf. Gn cap. 3, 4, 6, 7, 11, 19, 27,12ss etc.).

            No meio dessa gente, sempre tem alguém que se salva, que se mantém no rumo de Deus.  É o caso de Noé e sua família, com quem Deus chega a fazer aliança (cf. Gn cap. 9). É caso de Abraão que deixa sua terra para seguir o rumo de Deus, e Deus faz uma aliança também com ele (cf. Gn cap. 12 e 17). É o caso, depois, de inúmeros descendentes de Abraão que, no meio de dificuldades e contratempos, se esforçam por se deixar conduzir pelo Senhor. Deus, para eles, vai sendo percebido e assumido como o rumo certo de uma vida realizada e feliz. E Deus os acolhe amorosamente.          

Lendo as páginas da Bíblia, vemos como Deus vai se revelando como o verdadeiro rumo para o ser humano. Mostrou-o quando, “ouvindo o clamor do povo” (cf. Ex 3,7-10), operou através do seu servo Moisés a libertação da escravidão do Egito (cf. Ex cap. 12 a 15). Mostrou-o, sustentando o povo na caminhada pelo deserto (cf. Ex 15,22-18,27). Mostrou-o, por ocasião da aliança do Sinai (cf. Ex 19 e 20), inclusive prometendo: “Se vocês realmente ouvirem minha voz e guardarem a minha aliança, serão minha propriedade exclusiva dentre todos os povos. De fato, é minha toda a terra, mas vocês serão para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa” (cf. Ex 19,3-6). Mostrou-o, quando amorosamente acolhia de volta o povo que, eventualmente, resolvia tomar outro rumo e depois se arrependia. E assim por diante...

Sobretudo através dos sábios e profetas, Deus continuou se mostrando, insistente e repetidamente, como sendo o rumo mais certo para o futuro mais certo. E sempre pronto a acolher amorosamente quem se “desnorteou”. Por isso, exclama o salmista: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor!... Ele perdoa tuas culpas todas, e cura todas as tuas enfermidades. Ele resgata do fosso tua vida e te coroa de misericórdia e compaixão... O Senhor é compassivo e clemente, lento para a cólera e rico em misericórdia” (Sl 103,1.3-4.8).

Na voz dos profetas vemos constantemente o apelo: Quem tomou outro rumo, volte para o rumo de Deus, pois ele não rejeita ninguém. E quem está no rumo de Deus, não tome outro rumo. A experiência mostra que não vale a pena enveredar por outro. Amor, bondade, perdão, justiça, misericórdia, solidariedade, são algumas características do rumo de Deus.  E Deus ainda vai dar a prova final (quando vier o Messias) de que o seu é o rumo mais certo.

Peguem o rumo de Deus, porque o seu Reino está próximo!

Assim, aproximando-se o ponto alto da história da salvação de Deus, aparece o profeta João Batista, pregando sobre Deus lá no deserto. E avisava: “Convertam-se porque está próximo o reino dos céus” (cf. Mt 3,1-12; Mc 1,1-8; Lc 3,1-20; Jo 1,19-28). Em outras palavras: Mudem de rumo! Peguem o rumo de Deus, porque a expressão máxima deste rumo está muito próxima de nós: o Messias!

Muita gente, sobretudo o povo mais humilde, passou a acreditar naquilo que João ensinava e, realmente, enveredava pelo rumo de Deus, procurando viver uma vida de solidariedade, honestidade e respeito para com as pessoas. E para simbolizar esta mudança de rumo (entrando – mergulhando – “de cabeça” no rumo apontado pelo profeta) com o conseqüente perdão dos pecados, as pessoas eram batizadas (isto é, mergulhadas) nas águas do rio Jordão. João, no entanto, alertava: Atenção, pessoal! Eu não sou o Messias, não. Eu mergulho vocês na água. Mas, aquele que vem depois de mim, muito mais forte do que eu, este vai mergulhar (batizar) vocês no Espírito Santo. Em outras palavras, ele vai mergulhar vocês “de cabeça” para dentro do sentido máximo do rumo de Deus, que é o próprio Espírito de Deus que nos acolhe e nos perdoa.


Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:

3.         Olhando para a Bíblia, em que momentos as pessoas se desviaram do “rumo” proposto por Deus?
4.         Qual a atitude de Deus Pai diante dos erros da humanidade?
5.         E hoje? Quando e como nós nos desviamos do rumo?



 



LOUVOR À MISERICÓRDIA DO PAI         FICHA 12


Prefácio da Penitência
Frei Faustino Paludo, OFMCap

            O Prefácio nas Missas da Reconciliação e nas de caráter penitencial, como no tempo da Quaresma (cf Missal p. 442), além de revelar o sentido do Sacramento da Reconciliação, evidencia que: “a vida nova do Batismo, confirmada pelo Espírito e alimentada pela ceia Eucarística, renova-se pelo sacramento da Reconciliação sempre que for ferida pelo pecado”.
“Somos criaturas saídas de vossas mãos amorosas, mas naufragamos por causa do pecado”. Vossa misericórdia veio em nosso socorro e, em Cristo crucificado e ressuscitado, reencontramos o porto da paz.
Salvos pelas águas do Batismo, nosso louvor se enfraqueceu pelo pecado que cometemos, mas o Sacramento da Reconciliação nos convida à penitência, nos renova na santidade, e nos introduz no banquete do vosso amor.
“Revestidos com a graça do perdão, proclamamos vossa misericórdia, e, unidos ao coro dos reconciliados, cantamos jubilosos, a uma só voz”. 
O prefácio da missa inicia com o convite à ação de graças ao Senhor nosso Deus. Dar graças pela infinita misericórdia do Pai revelada em/por Cristo e que, hoje, se perpetua nos sacramentos da Igreja. O prefácio da Penitência proclama a unidade existente entre a 1ª e a 2ª criação, da páscoa da criação e da Páscoa da redenção: as criaturas humanas saídas das mãos amorosas de Deus, engolidas pelas águas do pecado, reencontram o socorro e a alegria da paz na ação misericordiosa do Pai revelada no mistério pascal de seu Filho Jesus.  No Cristo feito humano, crucificado e ressuscitado, o Pai estende sua mão aos pecadores convidando-os a entregarem-se confiantes à sua misericórdia. Jesus como palavra viva do Pai, é o caminho mediante o qual as pessoas reencontram o perdão e a paz. Ele é a fonte da humanidade reconciliada. A Igreja, por sua vez, não cessa de proclamar: “Desde a criação do mundo fazeis o bem a cada um de nós para sermos santos como vós sois santo”. 
            Pelo Batismo fomos sepultados nas águas da morte de Cristo e ressurgimos com Ele dentre os mortos (cf. Rm 6,4-11). O Batismo representa a primeira páscoa dos cristãos e o começo da vida nova. Quem passa pelas águas do batismo, “torna-se uma nova criatura” (2Cor 5,17), um filho de Deus.  Inseridos em Cristo, os batizados tornam-se membros da comunidade dos reconciliados com o Pai no Espírito Santo. “Todavia, esse tesouro nós o levamos em vasos de barro” (2Cor 4,7). O banho batismal nos torna participantes do povo santo e pecador. Pelo batismo todos os pecados são perdoados, mas certas conseqüências temporais do pecado permanecem, tais como as fragilidades inerentes à vida, a propensão ao mal etc. (cf. Rm 7,19). Assim, sempre que quebramos o pacto da aliança, o louvor do povo sacerdotal se enfraquece. Isto é, o vigor da vida no seguimento de Cristo e a participação na comunidade cristã se sentem sufocadas.  Contudo, nada pode calar o apelo do Mestre: “Convertam-se!” (Mc 1,15) e da Igreja: “Arrependam-se!” (At. 2,18). O Sacramento da Penitência emerge aqui como um segundo batismo, convidando os seguidores de Cristo à conversão. À mudança de vida própria de quem se coloca no rumo de Deus. É sacramento que “nos renova na santidade”. Nas águas do Batismo fomos “santificados e reabilitados pelo nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus” (1Cor 6,11). Tornamo-nos participantes da santidade de Deus. O pecado, por sua vez, quebra a aliança e impede de glorificarmos dignamente o Senhor. O sacramento da Reconciliação refaz os laços de comunhão e introduz o pecador arrependido no banquete do amor. Isto lembra a parábola do “Pai misericordioso” que acolhe com afeição o filho que retorna, o reveste e ordena que lhe seja preparada uma festa (cf. Lc 15, 23-24). A Reconciliação, purificando-nos do pecado, “reveste-nos de Cristo” (Gl 3,27; (cf. Lc 15, 22) e nos torna participantes do banquete do amor. A reconciliação com Deus e a renovação da vida nova acontecem na refeição pascal, na mesa da Eucaristia.
“Revestidos com a graça do perdão, proclamamos vossa misericórdia, e, unidos ao coro dos reconciliados”. Ao ser reconciliado o discípulo de Cristo, sente necessidade de louvar a misericórdia e a benignidade do Senhor, bem como, unido a todos os reconciliados, dar graças ao Deus do perdão. A proclamação da grandeza do Deus misericordioso permite ao reconciliado a alegria de quem foi perdoado por amor. Além do mais, os que foram perdoados e pacificados pelo Sacramento da Reconciliação, mergulhados no cotidiano da sociedade marcada pelas desigualdades sociais, violência, exclusão, fome e morte ...   são enviados a proclamar a boa-nova da misericórdia, numa contínua e renovada conversão, construindo relações reconciliadas e reconciliadoras, animados pela misericórdia do Pai, revelada em/por Cristo Ressuscitado.


Para conversar:

1.         Lendo e meditando o Prefácio da Penitência, que sacramentos aparecem interligados?
2.         De modo geral, como é que as pessoas entendem a relação entre Sacramento da Penitência, o
       Batismo e a Eucaristia?
3.         O que o Prefácio das missas da Reconciliação (Penitência) ressalta?
4.         Retomar o prefácio e juntos recitá-lo.



 




SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO  FICHA 11  

Frei Faustino Paludo, OFMCap
 Muitos se perguntam, hoje, pelo significado do sacramento da reconciliação no horizonte de uma sociedade onde a convivência harmônica e pacífica está se deteriorando face ao crescimento da violência, onde a vida e a dignidade das pessoas são ameaçadas.
Ora, o sacramento da Penitência está justamente enraizado na condição humana e na complexa realidade da convivência social.  As pessoas ao mesmo tempo que aspiram viver em paz, reconciliadas consigo e com os semelhantes, experimentam a amargura das tensões e dos conflitos. Sentem-se contrariadas frente às adversidades e às rupturas. Em meio às contradições e frustrações, a reação imediata é o isolamento. De fato, quem se dedica ao ministério da Reconciliação, constata que há “muita solidão”! Pessoas que desejam avidamente ser ouvidas em seus desabafos. Contudo, da experiência do sentir-se só e ferido, ecoa o grito pela busca de uma nova realidade, da mudança de vida. É preciso mudar! Ninguém, em sã consciência, consegue viver só e em meio a conflitos e transgressões por muito tempo. “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai” (Lc 15,18)!
          O Sacramento da Penitência e da Reconciliação é a festa do reencontro e do amor misericordioso do Pai. É a celebração do perdão e da esperança. O pedido de perdão resgata o sentimento confiante e possibilita a abertura de novos horizontes de relações reconciliadas. O pedir perdão encerra um dinamismo humano muito maior que a simples oração interior, pois insere o ser humano na dinâmica da relação comunitária. “Pai pequei contra Deus e contra ti, já não mereço que me chamem teu filho” (cf Lc 15,21).
          Mas,  o  “pedir perdão” requer a disponibilidade de alguém que se faça “todo escuta”, isto é, acolha com benevolência, ouça atenciosamente, permitindo à pessoa abrir seu coração. Saber ouvir é atitude que brota da bem-aventurança da misericórdia e, do reconhecimento da grandeza da pessoa do outro, apesar de seus limites (cf Jo 8,10-11). Nesta hora, a interlocução (o diálogo) reveste-se de significativa importância. Quem pede perdão, também espera ouvir uma palavra reconciliadora, ou seja, uma palavra que lhe dê a certeza do perdão e da paz. O perdão faz brilhar os olhos e exultar o coração ante as palavras: “irmão (a) tu estás perdoado (a)! Tu és amado (a) por Deus e liberto (a) em Jesus Cristo pela força de seu Espírito. Vai e viva em paz com todos!”
          O sacramento da Reconciliação é a celebração do amor incondicional de Deus que se traduz em dom de perdão e de paz. No Sacramento da Penitência, os fiéis “obtêm da misericórdia divina o perdão da ofensa a Deus, e ao mesmo tempo são reconciliados com a Igreja que eles feriram pelo pecado e que colabora para sua conversão com a caridade, o exemplo e as orações” (RP. Introdução. 4). O importante é resgatar a comunhão com Deus e com a Igreja, olhando igualmente para a grande reconciliação com o universo, em vista da cultura de reconciliados (cf. Conclusões do Seminário sobre Reconciliação, publicado no Subsídio Deixai-vos Reconciliar, Estudos da CNBB 96, Brasília, Edições CNBB, 2008). 
    
Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:
1.         Como as pessoas reagem e convivem em meio à violência e aos conflitos sociais?
2.         Quando você percebe que machucou alguém, como você reage? O que você faz?
3.         Nos momentos difíceis de sua vida, o que você mais deseja? O que você busca? 
4.         Muita gente sente a necessidade de celebrar o sacramento.  Você sabe como, onde, quando  e
       com quem  celebrá-lo? 






[1] Palestra proferida no Seminário sobre a Reconciliação, realizado em fevereiro 2007, e publicado na coleção Estudos da CNBB, no. 96, Deixai-vos Reconciliar, Edições CNBB, pág. 23-36.
[2] Palestra proferida no Seminário sobre a Reconciliação, realizado em fevereiro 2007, e publicado na coleção Estudos da CNBB, no. 96, Deixai-vos Reconciliar, Edições CNBB, pág. 23-36.


SACRAMENTO DA CONVERSÃO FICHA 10

Frei Faustino Paludo, OFMCap

A reconciliação é uma meta. As pessoas buscam incansavelmente a paz.  Mas, para alcançá-la, é necessário um penoso caminho de conversão, de mudanças e de transformações. A verdadeira reconciliação começa no coração de cada pessoa. Isto é, o convite à conversão exige uma mudança de rumo. Contudo, o processo de mudança não afeta exclusivamente o indivíduo, mas tende a expandir-se aos demais – à comunidade e à sociedade. 

No processo de conversão atuam diversos fatores: a) a consciência que quer dar um fim ao que está errado ou ao que desvia do rumo certo; b) a necessidade de se corrigir e reorganizar a vida em vista de um novo sentido e de uma nova prática; c) o pressuposto de que Deus está na origem da vida do ser humano e de que o amor misericordioso de Deus é quem dá sentido à existência humana. Converter-se é voltar o coração para Deus (cf Lc 15). É deixar-se reconciliar por Ele (2Cor 5,20) É inserir-se na dinâmica da Aliança. É participar do amor de Deus e ser testemunha da santidade de Deus na comunidade eclesial e no meio em que vive.  Converter-se significa abandonar a antiga situação e abrir-se para a nova  realidade de vida.

Já no Antigo Testamento Vemos o próprio Deus – por intermédio de seus profetas e mensageiros – convidando o povo à conversão (Sl 4,3; Sl 94,8; Is 44,22; Jr 18,11; Os 6,1). A conversão significa retorno ao Senhor, e, consequentemente, a renúncia ao mal, mudando o próprio modo de viver. O Salmo 51/50 oferece uma síntese da conversão e da misericórdia de Deus. A conversão se traduz em inúmeras práticas penitenciais. 
pregação de Jesus está centralizada no anúncio da conversão (metanóia), da penitência, como única via de ingresso e participação no reino de Deus e como única via de salvação. Não é por acaso que Jesus inicia seu ministério público convidando ao arrependimento: “Convertei-vos porque o reino de Deus chegou” (Mt 4,17; Mc 1,15).  É um apelo que reflete a necessidade de colocar-se na dinâmica de quem acolhe a boa nova de salvação. A conversão é o movimento que, por um lado, significa abandonar o “velho homem” e, por outro, revestir-se do “novo” (Rm 6,6; Cl 3,9-10). Converter-se é tornar-se novo na opção de vida pela verdade e a autenticidade. Mais do que uma ação isolada, a mudança sugere a imagem “do caminho”. Isto é, algo dinâmico, que precisa ser feito, construído segundo os critérios apontados pela Palavra de Deus.  “O caminho se faz caminhando”
Notemos que a conversão é dom e graça de Deus. Mas também requer exercício e empenho no sentido de responder fielmente às exigências do Espírito e à identificação com Jesus Cristo, para o louvor e a gloria de Deus Pai.  Neste prisma, o sacramento da Penitência celebra o encontro do filho pecador com o amor misericordioso do Pai. Encontro que renova a vida batismal ferida pelo pecado. Encontro que faz crescer no seguimento de Cristo e do seu Espírito. A conversão sincera é o pressuposto necessário para uma autêntica celebração do sacramento da Penitência.


Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:

1.              A reconciliação é uma meta a ser alcançada. O que fazer para atingi-la?
2.              O que exige uma verdadeira conversão?
3.              Qual é o pressuposto básico da celebração da Penitência?
4.              Vamos rezar o Salmo 51(51) com os passos da leitura orante?


NÃO À “SIMBOLOMANIA”       FICHA 09
Ione Buyst
            Infelizmente, tanto no estudo da teologia, como na prática pastoral, a liturgia é tratada muitas vezes como se fosse um enfeite, uma parte “externa”, um “embrulho” para a graça sacramental. Não é levada suficientemente a sério enquanto realidade simbólico-sacramental. Os sinais sensíveis, nem mesmo os dos gestos sacramentais, são vividos como ações simbólicas: é água de qualquer jeito; são hóstias que não têm aparência nem gosto de pão e que são entregues sem levar em conta o relacionamento pessoal entre quem dá e quem recebe; é vinho só para os padres; são textos bíblicos lidos de folhetos, são pessoas que estão juntas no mesmo espaço, porém já sem se reconhecerem e sem se tratarem como irmãos e irmãs, como Corpo de Cristo... Caímos no formalismo, no ritualismo, no sacramentalismo, na rotina.

“Simbolomania”
            E aí, quando a própria liturgia já não é vivida como ação simbólico-sacramental, surge a necessidade de criar... símbolos! Outro dia, alguém disse que estamos sofrendo de “simbolomania”: queremos “encher” a celebração de “símbolos” (serão, de fato, símbolos? Ou apenas objetos mostrados à assembléia, com longas apresentações, querendo “explicar” o que significam ou “simbolizam”?). Nós nos esquecemos de que a ação simbólica mais central, mais importante, porque mais densa de expressão de nossa fé, é a celebração da Eucaristia (ceia do Senhor). Ao redor dela giram também e participam de sua dimensão sacramental, todos os outros elementos que juntos formam a realidade litúrgica. Portanto, não se trata de nos preocupar em trazer uma série de símbolos e ações simbólicas na liturgia, mas de redescobrir cada gesto, cada objeto, cada pessoa..., dentro da liturgia como ação ou realidade simbólico-sacramental. Trata-se de vivenciar profundamente cada parte da celebração como manifestação, participação e comunhão no mistério revelado em Jesus.


Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:

1.         A sua comunidade sofre de “simbolomania”? Caso sim, como remediar?
2.         Como sugestão:
·         Vamos tentar viver a liturgia, com todos os seus elementos, como ação simbólico-sacramental, começando com a própria Eucaristia e os demais sacramentos e sacramentais.

·         Introduzindo outros símbolos ou ações simbólicas, vamos fazer com que estejam integrados no tempo litúrgico, na ação litúrgica que estamos celebrando.


A LITURGIA COMO REALIDADE SIMBÓLICO-SACRAMENTAL                                             FICHA 08
Ione Buyst
Sacramentos são liturgia, liturgia é sacramento
            Sacramentos são ações simbólico-sacramentais, pelas quais o Cristo Ressuscitado, presente em sua Igreja, nos atinge e nos transforma com seu Espírito vivificante. Por seus sinais sensíveis, quando realizados na fé, trazem presente e realizam em nós aquilo que significam: a salvação, a páscoa, a chegada do Reino, nossa comunhão em Deus.
            Acontece que toda essa teologia que encontramos no início da constituição conciliar sobre a Sagrada Liturgia (SC 5-8) não diz respeito somente aos sacramentos, mas à liturgia como um todo. Basta olhar a seqüência dos capítulos da constituição para nos darmos conta disso. Vejam: o capítulo primeiro trata da liturgia em geral (incluindo os sacramentos); os capítulos seguintes tratam de várias celebrações litúrgicas específicas ou de alguns de seus elementos: Eucaristia, demais sacramentos e sacramentais, ofício divino, ano litúrgico, música sacra, arte sacra e sagradas alfaias.
            Portanto, não somente nos gestos centrais dos sacramentos Cristo está presente e atua com seu Espírito, mas em todas as celebrações litúrgicas (ofício divino, por exemplo) e na celebração litúrgica como um todo, em todos os seus elementos (assembléia, ministérios, palavra, música, silêncio, gestos e atitudes do corpo, ano litúrgico, espaço sagrado...). Vale a pena reler o n. 7 da constituição conciliar, que fala dessas várias maneiras de Cristo estar presente na liturgia: no ministro da celebração eucarística, no pão e no vinho eucarísticos, nos sacramentos, pela sua palavra, quando a Igreja ora e salmodia:
            “Para levar a efeito obra tão importante [obra da salvação], Cristo está presente em sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas. Presente está no sacrifício da missa, tanto na pessoa do ministro, “pois aquele que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que outrora se ofereceu na cruz”, como sobretudo sob as espécies eucarísticas. Presente está pela sua força nos sacramentos, de tal forma que quando alguém batiza é Cristo mesmo que batiza. Presente está pela sua palavra, pois é ele mesmo que fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na igreja. Está presente finalmente quando a Igreja ora e salmodia, ele que prometeu: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles” (Mt 18, 20)”.
            Assim, a liturgia como um todo é celebrado sacramental do mistério pascal de Jesus Cristo. A liturgia como um todo tem força simbólico-sacramental e como tal deve ser celebrada e vivida.
            A cada gesto, a cada palavra, a cada olhar..., estamos trazendo presente e atuante (ou não!) o mistério e a força da páscoa de Jesus, que veio para transformar nossas vidas: entrar na igreja, andar, encontrar-se com os irmãos, fazer o sinal da cruz, abraçar-nos uns aos outros(as), beijar o altar, proclamar ou ouvir a palavra, cantar, mergulhar no silêncio, ver as flores que enfeitam o espaço de celebração... Em todos esses gestos e momentos, podemos viver (ou não!) o encontro com o Ressuscitado e, através dele, com o Pai, no Espírito Santo.


Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:

  1. Vamos ler juntos e comentar o número 7 da Constituição Sacrosanctum Concilium?
  2. Olhando para as nossas comunidades: os sacramentos são valorizados e vividos como ações simbólicas?  Como podemos ajudar as pessoas a perceberem esta realidade?




[1] Artigo publicado na Revista de Liturgia de julho/agosto 2000, pág. 29-30 e no livro Celebrar com símbolos, Paulinas, pág. 55-56.


AÇÕES SIMBÓLICAS DE DIFERENTES PESOS 
       E “DENSIDADES”                                            FICHA 07
Ione Buyst
            Nem todos os símbolos e ações simbólicas têm um peso igual. Há gestos considerados fundamentais, porque foram deixados pelo próprio Senhor Jesus, como por exemplo a ceia e o batismo; outros também têm um peso bastante grande, porque fazem parte da tradição apostólica; outros podem ser criados por cada comunidade.
            Podemos imaginar a eucaristia no centro de vários círculos concêntricos; em volta dela, os outros sacramentos e sacramentais, e depois a Celebração da Palavra, a Liturgia das Horas...
Gestos litúrgicos no prolongamento de gestos cotidianos

            Cada um dos gestos fundamentais dos sete sacramentos estão no prolongamento de gestos cotidianos, domésticos, muitos deles ligados à cozinha, à higiene e saúde... Estão no prolongamento também de gestos religiosos da piedade popular ou mesmo de outras religiões, fora de nosso universo cultural... Devemos estudar, observar e anotar as relações que existem entre eles.

·         Eucaristia tem a ver com agradecer, fazer um brinde para homenagear alguém..., comemorar um aniversário ou uma vitória com comes e bebes, confraternização, comer e beber para se alimentar, tomar refeição juntos, festejar...; tem a ver com a festa das folias de Reis e do Divino, com sua fartura de comida e bebida partilhada...

·         Batismo tem a ver com tomar banho, quase se afogar e ser retirado da água, salvar alguém de uma enchente; tem a ver com os banhos medicinais da hidroterapia; tem a ver com os batismos e banhos em tantos ritos religiosos...

·         Ungir tem a ver com passar óleo, bálsamo, unguento, creme, pomada medicinal (azeite, óleo de almíscar, de pinho, de alfazema,...). Tem a ver com passar perfume... É sinal do Espírito de Deus com o qual somos consagrados para Deus, consagrados para a missão messiânica (Cristo= Ungido= Messias); sinal do Espírito que penetra em nós para dar força, dignidade, alívio; sinal do Espírito que nos faz espalhar na sociedade a boa-nova de Jesus Cristo, como um perfume agradável e cheiroso que conquista, anima e dá alegria...

·         O sacramento da reconciliação tem a ver com os gestos da pessoa que reconhece seu erro, pede perdão, sente-se perdoada, tem a ver com a reconciliação de duas ou mais pessoas que se desentenderam... Vamos observar ou lembrar as expressões verbais e os gestos com os quais, no dia-a-dia, as pessoas se reconciliam... (abraços, apertos de mão, olhar, sorriso, presentes...)

É importante a gente sentir e fazer sentir a relação que existe entre os gestos cotidianos, os
gestos religiosos e os gestos expressamente sacramentais. É importante valorizar ações simbólicas que estão como que no prolongamento dos sete sacramentos e vice-versa:

·         Ligada ao batismo está a aspersão com água (na celebração dominical, nas bênçãos, nas exéquias...)
·         Ligado à celebração eucarística está o ágape, ou refeição fraterna.
·         Ligados com o sacramento da ordem estão os ritos para reconhecimento de outros ministérios, como ministros (as) extraordinários (as) da sagrada comunhão, ministro (as) do batismo etc.
·         Ligadas ao sacramento da reconciliação estão as celebrações penitenciais.
·         Ligadas ao sacramento do matrimônio estão as celebrações de bodas, com sua bênção das alianças.


Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:

1.         Você já tinha percebido que os gestos e ritos sacramentais tem tudo a ver com nossos gestos e ritos
cotidianos?

2.        Qual a frase que mais lhe chamou a atenção neste artigo?  Por que?  Como ela pode lhe ajudar a melhor compreender, celebrar e viver os sacramentos?



 Artigo extraído do livro Celebrar com símbolos, Paulinas, pág. 34-36.


OS SACRAMENTOS SÍMBOLOS? OU SINAIS?  
                                                                                          FICHA 06

Ione Buyst

            Todos os símbolos são sinais, mas nem todos os sinais são símbolos. Os sinais não simbólicos recebem sua significação como que de fora, pela convenção entre os membros de um determinado grupo cultural. São arbitrários; poderiam ser substituídos por outros. Um sinal vermelho no trânsito, por exemplo, é um sinal e não um símbolo.

O símbolo tem sua raiz no inconsciente e expressa uma experiência vivida a um nível anterior à conceituação. Ou, como o expressa um outro autor: é movido pelo autor: é movido pelo desejo, que é insaciável e almeja a totalidade do real, ou melhor, almeja Alguém que possa satisfazer nosso desejo.

Por isso, no símbolo existe como que uma relação interna que revela a unidade entre sinal sensível e realidade significada. Por exemplo, água como símbolo de purificação, de vida. A água em si já contém como que o sentido de purificação, de vida. Não é algo que é imposto de fora, racionalmente.

Símbolo não é o resultado de uma transferência de significação além da matéria, mas a própria articulação da densidade da matéria, que conserva sua totalidade de ser, em vez de ser escamoteada pelo espírito. (...) A matéria é investida pelo espírito.


Símbolos atingem o ser humano como um todo

            Vamos nos lembrar de alguma celebração passada... O que ficou gravado em nossa memória? Provavelmente, os cantos, os símbolos e principalmente as ações simbólicas. Por que isso? Porque atingem nossa pessoa como um todo; não só a nossa mente, mas também nossa afetividade, partindo do corpo e, atingindo através dele, as camadas mais profundas de nosso ser.

            Uma especialista em eutonia, Thérèse Bertherat, nos lembra o seguinte:

            Cuidado com o corpo, disse-me há muito um psicanalista que assistira às minhas aulas. Nosso corpo pertence ao domínio da mãe. Quando você procura abordar o ser pelo corpo, você entra diretamente nas camadas arcaicas da personalidade.

            E podemos dizer que nos liga não somente com o domínio da mãe, matriz geradora de nossa vida, mas nos liga ainda com a matriz geradora de toda vida: Deus.

            A liturgia é feita com “sinais sensíveis” (SC 7), usados simbolicamente. Partindo de nosso corpo, penetram nossa afetividade, nossa consciência, nosso inconsciente...

            São capazes de ligar, unir, juntar (symbállo):

·         Corpo, alma, mente, espírito... de cada um de nós;
·         As várias pessoas participantes, estreitando os laços na assembléia;
·         Cada um de nós e a comunidade reunida com a realidade (tanto cósmica quanto histórica) que nos cerca;
·         Cada um de nós e a comunidade reunida com Aquele que é a fonte da vida;
·         Presente e passado, céu e terra, “matéria” e “espírito”...

Através de nossa participação nas ações simbólicas, temos acesso à realidade que existe
para além do sensível, para a qual os símbolos e ações simbólicas remetem. E qual é esta realidade? Para nós, cristãos, esta realidade é o próprio Jesus Cristo glorificado em sua páscoa. Assim, a nossa participação na ação ritual da liturgia é páscoa de Cristo na páscoa da gente, páscoa da gente na páscoa de Cristo.


Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:

1.         Conseguimos entender a diferença que existe entre “sinal” e “símbolo”?
2.         Vamos elencar alguns “sinais” e alguns “símbolos” mais presentes em nossa vida para que possamos fazer bem esta distinção?
3.         Quais as realidades de nossa vida, de nossa história e de nossa comunidade que um “símbolo” pode “ligar, unir, juntar”?
               




 Extraído do livro Celebrar com os Símbolos, Edições Paulinas, pág. 31. 


OS SACRAMENTOS SÃO SÍMBOLOS?  - FICHA - 05

 Ione Buyst
Sacramentos: sinais sensíveis...
            Temos o costume de chamar de “sacramentos” os gestos principais que expressam e sustentam nossa fé cristã: batismo, confirmação, eucaristia, reconciliação, unção dos enfermos, ordenação, matrimônio. São sinais sensíveis que realizam aquilo que significam (Cf. SC 7). E o que significam? São chamados a significar, cada qual a seu modo, o mistério da nossa fé, o mistério pascal de Jesus, o Cristo. Pelo batismo, somos mergulhados na morte de Jesus, para ressuscitarmos com ele (Cf. Rm 6, 3-11). Também, ao realizarmos a ação eucarística, realiza-se em nós, sacramentalmente, em mistério, a morte-ressurreição de Jesus, a sua páscoa.
               
Uma nova teoria para explicar os sacramentos...
            Em cada época da história, os cristãos tentaram estudar e explicar, na medida do possível, estas ações sacramentais. Nenhuma explicação será jamais totalmente satisfatória, porque mistério tão grande não cabe em explicações; compreendemos apenas pela fé, instruída pelas Sagradas Escrituras; compreendemos pela experiência celebrativa e pela experiência do seguimento de Jesus no dia-a-dia de nossa vida. Mas, como somos seres racionais, devemos tentar explicar e entender racionalmente, até onde der...
            Atualmente, a maneira de explicar o que acontece quando celebramos um sacramento passa pela “teoria simbólica”. A realidade teológica (sacramento) é analisada do ponto de vista antropológico, enquanto símbolo. Por exemplo, o que acontece no batismo? Num sinal sensível (mergulhar e retirar das águas), aparece e começa a atuar uma realidade escondida, oculta a nossos sentidos. Qual é esta realidade? O mistério pascal de Jesus Cristo. Deixando-nos batizar, optamos por uma vida de seguimento de Jesus, que viveu uma vida de doação, de entrega, de compromisso total com o reino de Deus. E confiamos que, assim, o Pai nos dará a vida em plenitude, numa comunhão de vida, para sempre. Somos identificados com Cristo na sua morte-ressurreição. Sua páscoa acontece em nós.

A graça supõe e assume a natureza...
            O sinal sensível do batismo é um elemento da natureza (água), uma ação de nossa experiência cotidiana ou social com seu sentido evidente (mergulhar na água, correr o perigo de afogar-se numa enchente, ser retirado(a) das águas por outra pessoa, que às vezes até arrisca sua vida para nos salvar...). Este primeiro sentido recebe um complemento das Sagradas Escrituras, principalmente do Novo Testamento, onde este gesto se refere a Jesus e àqueles que se tornam seus seguidores: seu batismo no Jordão, seu batismo na morte, sua ressurreição, como salvamento por parte do Pai, e nossa participação em sua morte-ressurreição.
A força vital, a energia psíquica gerada pela simbolização é como que potencializada pelo Espírito Santo. O dinamismo do Espírito Santo se manifesta e trabalha no gesto humano simbólico. O Sopro Divino assume a água e a transforma, a transfigura, fazendo aparecer a vida divina na realidade humana. A realidade teologal se encarna e se manifesta e atua na realidade humana, antropológica, seguindo a lei da criação, a lei da encarnação e da epifania, a lei da ressurreição e da escatologia. A atuação do Espírito Santo passa pela ação simbólica; atinge-nos pela simbolização.

Seguindo a lei da criação...
            Afinal, Deus nos fez assim, como seres corpóreos/espirituais. Ou como diz o relato bíblico da criação, somos feitos(as) de “barro e brisa”: o Senhor modelou um boneco de barro, soprou sobre ele com sua divina brisa, seu divino sopro, e assim nasceu o ser humano, como ser vivente. Por isso, a comunicação com os seres humanos, mesmo a mais espiritual, passa necessariamente pelo “barro”, pelo corpo, pelos sentidos, pela “matéria”. E os sacramentos seguem esta lógica, esta teo-lógica da criação. Nos sacramentos se unem a “matéria” e o Espírito.

Seguindo a lei da encarnação e da epifania (manifestação)...
            São João, o evangelista, diz que em Jesus “o Verbo se fez carne”; a Palavra de Deus se fez gente com a gente; ergueu seu barraco no meio de nós. Deus se fez “barro”, “matéria”, corpo, possível de ser ouvido, visto, apalpado... por nós, seres humanos, para que pudéssemos entrar em comunhão com ele e encontrar assim nossa felicidade. Assim o expressa o mesmo São João no início de sua primeira carta: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos e o que nossas mãos apalparam o Verbo da vida - porque a Vida manifestou-se (...) - o que vimos e ouvimos vo-lo anunciamos, para que estejais em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. E isto vos escrevemos para que a vossa alegria seja completa” (1Jo 1,1-4).
            Por isso, os sacramentos seguem esta lógica, esta teologia da encarnação e da manifestação de Deus em nossa humanidade: a realidade divina se manifesta a nossos sentidos, em coisas para ver, ouvir, sentir, cheirar, saborear..., e desta maneira entra em comunhão conosco.

Seguindo a lei da ressurreição e da escatologia...
            Pela ressurreição, o corpo torturado, mutilado, crucificado de Jesus transformou-se em um corpo espiritual, pneumático. Nele nos tornamos gente nova, não mais escravos da natureza humana, mas gente que se deixa guiar pelo Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos. Com ele iniciam os novos céus e a nova terra, já presente em germe entre nós. E os sacramentos seguem esta lógica, esta teologia da ressurreição e de escatologia: nos sinais sacramentais já está espiritualmente presente a realidade futura, o reino dos céus, a vida que não termina com a morte.

Sacramento é mistério...
            É bom lembrar ainda que, a partir do Concílio Vaticano II, a palavra “sacramento” (que vem do latim) está sendo de novo entendida como “mistério” (palavra grega que, nos primeiros séculos do cristianismo, foi traduzida por “sacramento”).  Falamos da Igreja como mistério. “Mistérios” são também a eucaristia e o batismo..., porque neles transparece para nós e nos atinge o mistério de Deus, a vida de Deus; Deus enquanto realidade que sustenta e abrange tudo quanto existe. No sacramento vivido como ação simbólica, o mistério aparece e atua: tocando os sinais sensíveis, tocamos o mistério e somos transformados(as) por ele.
            Isto nos ajuda a não restringir o sacramento ao momento da celebração: a ação sacramental faz aparecer o sentido de toda a nossa vida, vivida em comunhão com Jesus Cristo, como experiência do mistério de Deus no mistério da vida humana. Ajuda-nos ainda a não entender o sacramento como um gesto quase mágico (batizou, salvou): é o mistério que atua em nós, é Deus, é o Espírito Santo do Cristo ressuscitado, que vai, ao longo de toda a nossa vida e com a nossa participação, nos transformando, nos revitalizando.

Os sacramentos são ações simbólico-sacramentais
            Para deixar claro esta realidade humano-divina, gosto de dizer que o batismo (assim como os outros sacramentos) é uma ação simbólico-sacramental. “Simbólica”, enquanto realidade humana: “sacramental”, enquanto realidade divina; “simbólico-sacramental”, enquanto realidade humano-divina, na qual o divino e o humano estão aliados, entrelaçados, inseparáveis. E espero que, assim, vocês tenham se recuperado do primeiro susto com a pergunta que está como título desde artigo! Sim, sacramentos são símbolos, ações simbólicas. Mas para entender isso, você deve superar o sentido muito limitado que às vezes se dá no linguajar cotidiano, quando se diz: “É apenas simbólico”, como se fosse uma coisa que não deva ser levada muito a sério ou que não seja real!


Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:

1.         Qual a compreensão que nós temos de sacramento?  E o povo que procura os sacramentos em nossa Igreja, o que pensam a respeito disso?
2.         Como entender as três leis da simbologia (criação, encarnação e ressurreição)? Ficou claro para
       nós esta explicação?
3.         Como entender a afirmação de que os “sacramentos são símbolos”?




OS SACRAMENTOS COMO SINAIS DA AÇÃO DE DEUS - FICHA - 04

Pe. Gregório Lutz, CSSp

            Os sacramentos são sinais. Um sinal remete a uma realidade diferente do próprio sinal. Por exemplo, um sinal numa estrada que diz que até uma determinada cidade a distância é de tantos quilômetros, remete a esta cidade. Mas o sinal não é a cidade. Há outros sinais que remetem a uma outra realidade, mas de alguma maneira esta outra realidade já está presente no sinal mesmo. Por exemplo, o respirar de um corpo humano ou de um animal é sinal de que este corpo vive. O sinal do respiro não apenas remete à vida, mas ele mesmo é vida. Tais sinais que remetem e já contêm em si a realidade significada, normalmente são chamados de símbolos.
Devemos ainda lembrar que não somente coisas ou objetos podem ser sinais, mais igualmente gestos e ações. Assim, por exemplo, o sinal ou símbolo principal do batismo não é bem a água, mas a ação que se realiza com a água, o mergulho nela ou o derramamento da mesma. No entanto, os sinais dos nossos sete sacramentos podem ser ambíguos em seu significado. Um mergulho na água pode levar ao afogamento e a morte, mas pode também refrescar e vitalizar o organismo, pode dar a sensação de um novo nascimento. Os sinais e símbolos sacramentais podem ter sua origem em culturas que não são bem conhecidas, como é o caso da unção. Além de ser curativo e servir para fortalecer o corpo, ela pode significar, a partir da sua origem em Israel, a bênção de Deus ou a instituição de um rei ou sacerdote. Por isso que é muito importante a palavra que acompanha um gesto sacramental, porque determina o que ele significa na respectiva ação sacramental.
                      Na celebração dos sacramentos, além do rito central ou essencial, também outros elementos rituais tem valor simbólico, igualmente os objetos do culto, a assembléia e os ministros, sobretudo os ministros próprios do sacramento e até o espaço no qual se realiza a celebração
            Necessariamente coloca-se, neste contexto, a pergunta: Como tais sinais, ações, pessoas e objetos que entram no rito do sacramento, podem ter valor salvífico? Isso é possível porque Deus está agindo nos sacramentos. Ele está presente e agindo na Igreja, da qual os sacramentos são os momentos mais intensos de vida, desde que a Igreja com seus sacramentos nasceu na cruz, quando Jesus entregou o Espírito. Os sacramentos são um prolongamento da presença e ação de Jesus no mundo. A ação de Deus se mostra e realiza não somente pela ação dos ministros da celebração, mas também de todos aqueles que na celebração se abrem para a ação de Deus, em primeiro lugar quem recebe o sacramento. Assim pode-se realizar aquilo que os sacramentos e toda a liturgia visam: levar a efeito a obra de salvação realizada por Jesus, sobretudo na sua páscoa.
Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:

1.         Por que os sinais sacramentais não são magia?
             2.         A quem se deve que os sacramentos levam a efeito a salvação?







A ORIGEM DOS SACRAMENTOS - FICHA 03
Pe. Gregório Lutz, CSSp

            Geralmente se diz que os sacramentos foram instituídos por Jesus Cristo. No entanto, os evangelhos nos relatam apenas a respeito de dois sacramentos que foram claramente instituídos por Jesus: a eucaristia e o batismo. Na aparição do Senhor ao grupo dos apóstolos na tarde do dia da ressurreição, quando Ele soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo! A quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aos quais retiverdes, ser-lhes-ão retidos”, se vê ainda a instituição do sacramento da penitência.

            Poderia-se entender a instituição dos sacramentos como uma ordem, um ato jurídico de Jesus. Mas para podermos afirmar tal instituição dos outros sacramentos não se encontram dados suficientes no Novo Testamento, embora todos os sete sejam de alguma maneira mencionados nos Atos ou em cartas dos apóstolos.

            No entanto, a origem dos sacramentos em Jesus Cristo pode ser vista de outra maneira, como de fato vários Padres da Igreja a tem visto e como o Concílio Vaticano II, que também a esse respeito voltou às fontes, reafirmou. Conforme eles, os sacramentos não têm sua origem num ato jurídico de Jesus, mas no seu próprio ser. Como Ele é sacramento do Pai e a Igreja é sacramento de Jesus Cristo, assim a Igreja, o sacramento universal, se desdobra nos sete sacramentos. Eles têm, portanto, sua origem em Jesus, como a Igreja mesma. O Vaticano II diz em sua Constituiçãosobre a Sagrada Liturgia, a “Sacorsanctum Concilium”, citando Santo Agostinho: “Do lado aberto de Cristo dormindo na cruz nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja” (SC 5). A origem da Igreja e, com ela, dos sacramentos, é, portanto, não um mandato jurídico, e sim um ato vivencial Dele, pelo qual o Senhor da Glória se torna e fica presente na Igreja, seu corpo místico, até o fim dos tempos.

            O evangelista São João escreve no seu evangelho que Jesus morrendo entregou o espírito. Com isso ele quer dizer mais do que simplesmente afirmar a morte de Jesus. Pelo contexto do quarto evangelho é claro que São João quer dizer que Jesus na sua morte entregou o Espírito Santo e que assim nasceu a Igreja com os sacramentos, particularmente os do batismo e da eucaristia, simbolizados pelo sangue e a água que jorraram do lado aberto de Jesus.




Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:

        1.         Porque a explicação da origem dos sacramentos aqui apresentada pode satisfazer mais do que
 a tradicional, que supõe um ato jurídico de Jesus para cada sacramento?
2.         Por que os sacramentos podem ser chamados “sinais do amor de Deus”?



O QUE SE ENTENDE POR “SACRAMENTO”?   FICHA - 2

Pe. Gregório Lutz, CSSp

            Muitos católicos dizem que os sacramentos são sinais de graça. Alguns dizem com mais precisão que são sinais eficazes de graça. Outros acrescentarão que foram instituídos por Jesus Cristo. E certamente não faltará quem diz que existem sete sacramentos, e os enumera: Batismo, confirmação, eucaristia, penitência, unção dos enfermos, ordem e matrimônio. Mas assim é realmente claro o que é um sacramento?

            Para conseguirmos mais clareza, olhemos uma vez como se realiza um sacramento, por exemplo, o batismo, um casamento ou uma celebração da eucaristia! Há sempre um grupo grande ou pequeno de pessoas reunidas que ouvem a Palavra de Deus e a ela respondem em oração e canto, e há sempre também um rito, gestos e sinais, acompanhados por palavras que dizem o que este gesto significa. Tal significado vai sempre além da simples ação física. A ação sacramental opera a salvação, leva a ação salvífica de Cristo aqui e agora a efeito nas pessoas que celebram o sacramento. Esta eficácia dos sacramentos é evidentemente obra divina que se dá através das ações simbólicas dos ministros dos sacramentos, e não sem a cooperação da assembléia dos fiéis e, sobretudo, daqueles que recebem um sacramento. Estes devem se abrir para o dom da graça que Deus lhes quer dar no respectivo sacramento. E toda a comunidade reunida participa da ação sacramental, pelo menos ouvindo a Palavra de Deus e respondendo a ela em ação de graças e louvor, assim como em súplica e intercessão.

            A instituição dos sacramentos por Jesus Cristo procurava-se - e muitos ainda procuram - prová-la para cada sacramento do Novo Testamento. Isso é possível para o batismo e a eucaristia, talvez ainda para a penitência; para os outros sacramentos é mais difícil ou impossível. Mas, sobretudo a partir do Concílio Vaticano II, a origem dos sacramentos em Jesus Cristo não se vê como instituição jurídica, mas como um nascimento do próprio Jesus.

            Reflexões posteriores mais detalhadas sobre a origem dos sacramentos, sua estrutura em sinais e palavras, e a ação sacramental em conjunto de Deus e da Igreja, nos ajudarão a entender ainda melhor o que é mesmo um sacramento.

Perguntas para reflexão pessoal ou em grupos:

1.         Que definição ou descrição de “sacramento” você aprendeu na catequese?
2.         Que perguntas esta definição ou descrição deixou em aberto?
3.         O que você diria agora em breves palavras, se alguém perguntasse: o que é um sacramento?



 APRESENTAÇÃO - FICHA 1

            Já estamos na terceira etapa do Liturgia em Mutirão, graças à boa aceitação que estes subsídios tem tido por toda parte do nosso país,  proporcionando uma visão completa da ação litúrgica.

            O Liturgia em Mutirão III tem como eixo de reflexão os sacramentos da fé. Nele os agentes de pastoral, sobretudo os que trabalham no campo da pastoral litúrgica e na catequese, encontram elementos indispensáveis para a compreensão e celebração dos gestos pascais de Cristo que a Igreja realiza ao celebrar os sacramentos.

As intuições e experiências dos colaboradores desta edição facilitam a compreensão da ação salvífica de Cristo que se manifesta na comunidade eclesial, especialmente quando reunida para a ação litúrgica. Assim, o conhecimento teológico-litúrgico dos sacramentos, que esses autores passam, certamente, ajudará os agentes de pastoral a preparar e a celebrar os sacramentos, incentivando a participação ativa da comunidade celebrante nos frutos do mistério pascal de Cristo, através de ritos e preces. Trata-se, portanto, de facilitar a participação “tanto interna como externa” (SC 19), que acontece graças à sinergia entre Espírito Santo e a Igreja, Corpo de Cristo. Pois “a liturgia, como afirma a Sacrosanctum Concilium, impele os fiéis, saciados pelos mistérios pascais, a viverem em união perfeita, e pede que exprimam na vida o que receberam pela fé.” (SC 10)

           Deste modo, a celebração dos sacramentos da fé, enquanto  memorial e epiclese, isto é, memória da Páscoa de Cristo e efusão do Espírito de Pentecostes, expressam a gratuidade do amor de Deus. E correspondem às diversas etapas da vida dos discípulos e discípulas de Cristo, neste tempo da Igreja. Constituem o ponto alto do encontro com o Cristo total que associa a si a sua Igreja no exercício do seu sacerdócio, unindo a liturgia terrestre à celeste. 

             O(a) leitor(a) é convidado(a) a percorrer os artigos deste projeto, publicados semanalmente no site da CNBB, imergindo na ação ritual que se expressa com símbolos, palavras e gestos, dando o devido lugar ao mistério de Cristo. Mistério que deve animar a celebração dos sacramentos e impregnar a pastoral litúrgica a fim de “que todos os que se tornaram filhos de Deus pela fé e pelo batismo, se reúnam em assembleia, louvem a Deus na Igreja, participem no sacrifício e da Ceia do Senhor.” (SC 10)

+ Joviano de Lima Júnior,sss - in memorin

Nenhum comentário:

Postar um comentário