domingo, 30 de abril de 2017

TEMPO DE PÁSCOA - CRISTO RESSUSCITOU, ALELUIA!



É tempo de Páscoa, sentimos o apelo para a renovação da esperança. A esperança é a última que morre, diz o ditado; a Páscoa cristã corrige este ditado para: a esperança não decepciona e, portanto não morre.
A festa da Páscoa era festa da renovação da vida vegetal e animal. As primícias do rebanho e da colheita: o cordeiro e os pães eram oferecidos a Deus que passava à frente de seu povo (judeus) para guiá-lo rumo à liberdade. Uma festa ecológica que há centenas de anos era celebrada pelo povo de Deus; libertado da escravidão do Egito conforme narra a Bíblia: “Que ninguém se apresente de mãos vazias diante do Senhor, cada um traga seu dom, conforme a benção que Deus lhe tiver proporcionado” (Dt 16,16).
Apesar de toda tristeza e de todo drama que devasta o mundo, é Páscoa novamente! É festa da gratidão e da partilha, festa da vida que teima em renascer dos escrombos da morte, porque é mais forte que a morte. Terrorismo, poluição, corrupção e exclusão social, nada disso impede o renascer da vida!
A morte pode até ir ganhando no varejo, mas a vida é que vai ganhar no atacado. Esta é a garantia que temos ao celebrar na fé a vitória de Jesus Cristo morto e ressuscitado. É esta a sabedoria da Páscoa: a vida triunfa!
A Páscoa é celebração da alegria: festa do otimismo. Ela nos faz pensar que são os otimistas que tocam o mundo pra frente, os pessimistas são espectadores. Os pessimistas quebram o entusiasmo vital com a desculpa de serem realistas. Realistas são os otimistas porque não olham só o túmulo, olham para o mistério de luz que vai além. O otimista sabe que até mesmo as coisas dolorosas devem ser envoltas pela luz da alegria, da vida.
A alegria da Páscoa é saber que o grão de trigo ao morrer gera uma vida, nova e poderosa, capaz de produzir muitos frutos. Aproveitemos a lição da Páscoa: Lição de alegria verdadeira, lição de sabedoria, capaz de perceber além do tempo, perceber que a vida teima sempre e acabará por vencer, pois, a última palavra não é da morte, mas da vida.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

FESTA DA DIVINA MISERICORDIA



A Igreja Católica celebra, no segundo domingo da Páscoa, a Festa da Divina Misericórdia, instituída pelo Papa São João Paulo II. Esta festa teve origem na Polônia, em Cracóvia, através das experiências místicas de Santa Irmã Faustina Kowalska, e é hoje celebrada no mundo inteiro.
Santa Ir. Faustina Kowalska, conhecida hoje como Santa Faustina, nasceu em Głogowiec, perto de Łódź (Polônia), aos 25 de agosto de 1905, vindo a falecer ainda jovem, em Cracóvia (Kraków), aos 05 de outubro de 1938. Pertencia à congregação das “Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia.” Ela entrou na congregação em 1924 e ficou apenas 14 anos, até o momento de sua morte. É reconhecida como a “apóstola da Divina Misericórdia”.
O padre Michal Supocko, que era seu confessor, pediu que ela escrevesse os seus diálogos espirituais. Isso resultou em centenas de páginas, que estão traduzidas em muitos idiomas: “o Diário de Santa Faustina”. Encontramos este livro em quase todos as línguas, desde os idiomas indígenas até as línguas dos desertos da África.
Qual seria a imagem da Divina Misericórdia? As freiras da congregação responsáveis pelo Santuário da Divina Misericórdia, em Cracóvia, contam como Santa Faustina orientou a pintura do quadro que representava Jesus misericordioso. Um pintor renomado foi convidado para pintar o quadro: Eugeniusz Kazimirowski, em 1934. Tudo dependeu das informações dela. Depois do quadro pintado, ela disse que por mais linda que fosse a arte, a pintura ainda não representava a beleza que ela tinha intuído e vivido. Abaixo do quadro, veio a grande expressão, verdadeira manifestação de fé: “Jesus, eu confio em vós!” (Jezu, ufam Tobie!) Hoje, essa pintura se encontra espalhada em inúmeras paróquias e residências em todo o Brasil e no mundo.
A celebração da Divina Misericórdia levou muito tempo até entrar na liturgia. Hoje, com a aprovação do Papa João Paulo II, está presente em todos os continentes. Foi o Pe. Michal Supocko que desde 1937, tendo acompanhado Santa Faustina, trabalhou para que fosse introduzido na liturgia o Domingo da Divina Misericórdia (“Eu desejo que o primeiro domingo depois da Páscoa seja a Festa da Misericórdia” (Diário 299). Em 1946, o então cardeal August Hlond, primaz da Polônia, enviou um ofício à Santa Sé pedindo a inserção dessa festa. Em 1957, novamente o tema foi retomado. E em nome do cardeal Stefan Wyszynski, 17 dioceses foram entrevistadas. No dia 19 de novembro de 1958, o Santo Ofício emitiu um decreto confirmando a celebração da Divina Misericórdia. Este decreto foi tornado público alguns meses depois, entrando oficialmente no calendário litúrgico no dia 06 de março de 1959. Mas até ali ainda não havia sido definida uma data oficial para o culto. A irmã Faustina foi beatificada em 18 de abril de 1993, quando a Conferência Episcopal da Polônia retomou o tema, enviando ao Papa um novo pedido para tornar pública esta festa da Divina Misericórdia. Quem oficializou a data foi o Papa Beato João Paulo II no dia 17 de agosto de 2002, na Basílica da Divina Misericórdia, em Cracóvia, declarando o segundo domingo da Páscoa como sendo o dia do culto à Divina Misericórdia. Inclusive, o Papa recomendou que neste culto se fizesse uma novena que deve ser iniciada sempre na Sexta-Feira Santa. Podemos encontrar maior reflexão sobre o tema estudando a encíclica do Papa São João Paulo II “Dives in Misericordia”.
Hoje, vemos em inúmeras paróquias de todo o Brasil e no mundo, e até em ambientes familiares, a prática desta devoção em louvor à Divina Misericórdia. Lembremo-nos de que não é apenas nesse domingo, mas a Misericórdia com os irmãos deve ser praticada a cada instante de nossas vidas.
Jesus Cristo é a primeira fonte da Misericórdia. Assim como seus discípulos, devemos ser os continuadores do amor e do perdão a todos. O Ano da Fé nos convida a acolher as palavras de Jesus, pois são o anúncio da verdadeira paz do coração e da esperança que está enraizada no mistério da cruz na sua paixão e morte e, acima de tudo, na sua gloriosa ressurreição. O Misericordioso Senhor nos deu a participação na sua vitória sobre o pecado e a morte.
Cristo ressuscitado nos ensina a necessidade da misericórdia e nos pede para praticar a caridade. Viver a fé nos impulsiona a levar a sério as palavras de nosso Mestre: Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia (Mt 5,7). A expressão de fé madura está nos atos concretos de caridade. Que a celebração deste domingo fortaleça os nossos corações pela graça de Deus! A misericórdia de Deus está chegando ao nosso irmão por meio de ações concretas, palavras de esperança e constante oração para que desça a misericórdia sobre nós e sobre o mundo inteiro!
"Ajuda-me, Senhor, que minhas mãos possam ser misericordiosas e cheias de boas ações. Eu só sei fazer o bem ao próximo, tomar sobre mim o trabalho mais pesado. Ajuda-me, que o meu pé possa ser misericordioso, para que eu possa correr para ajudar o meu próximo, vencendo a própria fadiga e cansaço. Meu verdadeiro descanso está a serviço dos outros. Ajuda-me, Senhor, que meu coração seja misericordioso, para que eu possa sentir em mim todos os sofrimentos dos outros..."
 (Santa Faustina, Diário, 163).


segunda-feira, 10 de abril de 2017

SEMANA SANTA

A minha alma está triste até à morte: 
ficai aqui e comigo vigiai.



O fel lhe dão por bebida
sobre o madeiro sagrado.
Espinhos, cravos e lança
ferem seu corpo e seu lado.
No sangue e água que jorram,
mar, terra e céu são lavados. 

Ó cruz fiel sois a árvore
mais nobre em meio às demais,
que selva alguma produz
com flor e frutos iguais.

Ó lenho e cravos tão doces,
um doce peso levais. 
Árvore, inclina os teus ramos,
abranda as fibras mais duras.

A quem te fez germinar
minora tantas torturas.
Leito mais brando oferece
ao Santo Rei das alturas. 

Só tu, ó Cruz, mereceste
suster o preço do mundo
e preparar para o náufrago
um porto, em mar tão profundo.

Quis o cordeiro imolado
banhar-te em sangue fecundo. 

Glória e poder à Trindade.
Ao Pai e ao Filho Louvor.
Honra ao Espírito Santo.
Eterna glória ao Senhor,
que nos salvou pela graça
e nos remiu pelo amor.