sábado, 23 de dezembro de 2017

Então é Natal...




A alegria do Natal é a resposta de Deus à tristeza do homem. Cumprindo as promessa feitas à Abraão e à sua descendência (cf. Lc 1, 55), Ele visita hoje o povo que, segundo o Seu beneplácito, escolheu para Si; fá-lo, porém, para além de tudo quanto o coração humano possa esperar: cheio de bondade e ternura, o Pai de misericórdias (cf. 2Cor 1, 3) envia-nos numa carne (cf. 1Jo 4, 2) em tudo semelhante à nossa, menos no pecado (cf. Hb 4, 15), o Seu "Filho bem-amado" (Mc 1, 11). Deus hoje Se encarna, faz-Se presente aos que por tanto tempo fugiram à Sua presença. Escondido na humildade de um recém-nascido, Jesus Cristo assume hoje todas as perfeições e delicadezas por que quis ser prefigurado e anunciado aos nossos pais na fé: a inocência de um Abel, a pureza de um José, a mansidão de um Moisés—tudo isto se encarna hoje, sob a doçura frágil de um menino, n'Aquele que Se faz carne por amor ao homem. É o mesmo Senhor que, permanecendo o que era e assumindo o que não era, faz tremer a humanidade diante do mistério de Sua presença e da presença deste tão grande Mistério.
A alegria do Natal é, pois, a resposta de um Amor que, vendo a solidão e o sofrimento humanos, quis sofrer conosco, quis vir a este desterro para tirar-nos a nós, degredados da glória celeste, da nossa solidão terrena. Assumindo a nossa natureza, Ele nos chama a participar da Sua; padecendo as nossas dores, Ele nos convida a gozar as Suas alegrias. O Filho de Homem, contudo, não tem hoje onde reclinar a cabeça (cf. Mt 8, 20): Ele nos deu tudo o que temos e Se priva agora de tudo o que, por direito, poderia ter. Ele, que é muito mais do que sequer podemos conceber, faz-Se servo dos que deseja chamar amigos. Deus é, de hoje em diante, Deus conosco, o Emanuel há tanto esperado! Porque só Ele poderia vir, só Ele poderia transpor o abismo que existe entre a nossa indigência e solidão e a plenitude de amor e comunhão de que goza a Trindade Santa pelos séculos sem fim.
Que este Natal seja de profunda e sentida gratidão pela forma maravilhosa por que o Pai quis salvar-nos, reconciliando-nos Consigo, e dar-nos a conhecer o Seu amor por nós, vivido até o extremo da Cruz por Aquele que não nos desprezou, não teve nojo de nós—antes, preferiu ser Ele mesmo desprezado e rejeitado pelos que eram Seus (cf. Jo 1, 11), para que todo o que n'Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna (cf. Jo3, 18). Demos graças ao Senhor pela única e verdadeira boa notícia que nos foi anunciada: hoje nasceu para nós um Salvador, que é o Cristo Senhor! Não estamos mais a sós! Glória e honra a Ele por todos os séculos dos séculos. Amém.


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

FORMAÇÃO PERMANENTE 2017











PROGRAMAÇÃO PARA O ENCONTRO DIOCESANO DE FORMAÇÃO PERMANENTE PARA DIÁCONOS E ESPOSAS:







Sábado

07h Chegada, acolhida e entrega do material aos participantes
A equipe de música vai acolhendo na Capela os que chegam, e realiza o ensaio dos cânticos para a Santa Missa e a oração de Laudes
07h30 Celebração da Santa Missa com ofício de Laudes (Liturgia das Horas)
08h15 Café-da-manhã
09h Canto de animação e apresentação do assessor e dos membros das equipes de organização do encontro
09h10 Assessor (1ª parte): A importância pastoral da CPD na ausência do presbítero e a sua história na tradição da Igreja
09h30 Assessor (2ª parte): A presidência da CPD e as indicações litúrgico-pastorais do Magistério da Igreja sobre a CPD
10h30 Assessor (3ª parte): Estudo comparativo da estrutura dos 2 rituais da igreja aprovados pela Santa Sé para uso na CPD
12h Recitação da oração do Ângelus Domini
12h10 Almoço e tempo livre
13h30 Animação musical e ensaio de cantos para as Vésperas e Completas
14h Assessor (4ª parte): Estudo teológico, litúrgico e pastoral da presidência dos Ritos Iniciais na CPD: análise dos textos, gestos e ritos presentes nos rituais e em outros “subsídios populares” (livros, folhetos, etc)
14h45 Assessor (5ª parte): Estudo teológico, litúrgico e pastoral da presidência da Liturgia da Palavra na CPD: análise dos textos, gestos e ritos presentes nos rituais e em outros “subsídios populares” (livros, folhetos, etc)
15h15 Grupos para estudo de algumas das orientações da Igreja para a realização da homilia na CPD presidida por um diácono
16h Café-da-tarde
16h15 Assessor (6ª parte): Estudo teológico, litúrgico e pastoral da presidência do “Momento de Louvor e Ação de Graças” na CPD: análise dos textos, gestos e ritos presentes nos rituais e em outros “subsídios” populares (livros, folhetos, etc)
18h Recitação da oração do Ângelus Domini (Sala de palestras)
18h05 Celebração do Ofício de Vésperas (Liturgia das Horas)
18h35 Tempo livre para banho
19h30 Jantar
20h45 Assessor (7ª parte): Estudo teológico, litúrgico e pastoral da presidência do Rito da Comunhão na CPD: análise dos textos, gestos e ritos presentes nos rituais e em outros “subsídios” populares (livros, folhetos, etc)
21h30 Assessor (8ª parte): Estudo teológico, litúrgico e pastoral da presidência dos Ritos Finais na CPD: análise dos textos, gestos e ritos presentes nos rituais e em outros “subsídios” populares (livros, folhetos, etc)
22h Celebração do Ofício de Completas (liturgia das horas)
22h30 Descanso noturno

Domingo
07h00  Despertar
07h30 Celebração do Ofício de Laudes (Liturgia das Horas)
08h Café-da-manhã
08h30 Exibição do Filme “Celebração Dominical da Palavra” (Verbo Filmes) e comentários críticos: breve partilha sobre as orientações sobre a CPD dirigida por um(a) Ministro(a) Leigo(a)
09h30 Trabalhos em grupos:
Grupo 1: Tempo do Advento
Grupo 2: Tempo do Natal
Grupo 3: Tempo da Quaresma
Grupo 4: Tempo da Páscoa
Grupo 5: Tempo Comum
Grupo 6: Solenidades e Festas do Senhor
Grupo 7: Solenidades e Festas da Virgem Maria
Grupo 8: Memória dos Santos, Apóstolos e Mártires
10h30 Tempo livre
11h Celebração da Santa Missa do 22º Domingo do Tempo Comum
12h Oração do Ângelus Domini e Almoço
13h30 Animação musical
14h Momento de avaliação litúrgica das celebrações
14h15 Plenário dos grupos para esclarecimento de dúvidas e orientações do assessor
15h Celebração de Adoração e Bênção Eucarísticas
16h Encerramento



terça-feira, 29 de agosto de 2017

DIA NACIONAL DO CATEQUISTA



Estimado amigo catequista,
Paz e bem!
CATEQUIZAR é aproximar, ouvir e estar junto, participar é sofrer e alegrar com alguém ou para alguém. Este alguém pode ser, a criança, o adolescente, o jovem, o adulto, o velho, o enfermo, ou uma pessoa que necessita de nossa atenção.
CATEQUISTA é aquele que vê no próximo um ser com possibilidades de ser transformado. Não é fazê-lo á nossa semelhança, mas sim avaliar suas potencialidades e deduzir até onde aproveita-las.
SER CATEQUISTA é sentir-se responsável por uma igreja sinal de Deus Amor, Pai e Mãe, esperança dos aflitos e sofredores.
O CATEQUISTA não desiste! A derrota de hoje, pode estar na vitória do amanhã. Acreditamos que na função missionária de catequizar, é ter também a capacidade mental de experimentar, muitas vezes a derrota, repetir com convicção: Vou continuar! É preciso fundamentar essa vocação com a leitura da Palavra de Deus, participar das formações oferecidas na paróquia, na região pastoral e na diocese, aprendendo dos simples, ter olhos abertos, atentos á realidade; ter coração humano, fraterno, é ser continuador de Cristo entre os humilhados.
Vamos ser catequistas renovados, inculturados, sem medo, profetas dos dias de hoje, criem pistas de saída; procurem fontes abastecedoras; planejem caminhadas, participem da comunidade, valorizem-se! estimulem-se! unam-se! catequistas de nossa diocese.
chegou a hora da catequese viva, eficaz, transformadora.
QUERIDO CATEQUISTA valorize a sua hora, é a hora dos profetas, não se cale, Não deixe a palavra de Deus morrer afogada no poço do medo. Seja profeta, porta-voz de Deus- Amor.
A igreja está com você! É neste espírito que desejamos agradecer ao Senhor o dom da vida de todos os catequistas da nossa Diocese de Piracicaba. Escolhidos por Deus (Jo 15, 16), servem na humildade e com alegria nossas comunidades, promovendo a educação da fé, fazendo ecoar constantemente a Palavra de Deus e formando semeadores da Esperança do Reino de Deus. Que o Senhor, na sua infinita bondade e ternura, os faça instrumentos de sua Paz. Como sabemos, neste ano, o Dia do Catequista será celebrado em nível de região pastoral. Exortamos que este dia seja marcado pelo companheirismo e fraternidade evangélica, buscando fortalecer os laços de amizade entre os educadores da fé de cada região pastoral. Que Maria, estrela da Nova Evangelização, a Senhora da Saúde, proteja e inspire nossos catequistas na sagrada e sublime missão de fazer ecoar a Palavra de Deus.
 Abraço fraterno, com minha benção.
Diácono Flori
Pela Coordenação Diocesana de Catequese
Parabéns pelo seu dia!


quarta-feira, 24 de maio de 2017

CELEBRAÇÃO DA PALAVRA


“A celebração da palavra é forma privilegiada de encontro com o Senhor”, diz dom Aloísio Dilli“


“A celebração da palavra é forma privilegiada de encontro com o Senhor”, diz dom Aloísio Dilli
Cerca de 70% das comunidades católicas no Brasil não têm acesso à Celebração da Eucarística presidida por um ministro ordenado. O dado faz parte do Documento 43 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que trata da animação da vida litúrgica no país. É neste contexto que a entidade destacou uma Comissão Especial da Celebração da Palavra para elaborar um documento com orientações para as comunidades que se encontram nesta situação.
A Comissão foi formada a partir de uma solicitação do Conselho Permanente da CNBB com a missão de caracterizar melhor a Celebração da Palavra de Deus e oferecer propostas concretas de roteiros, diante da realidade atual, oferecendo novas pistas de ação. O texto foi aprovado na 55ª Assembleia Geral dos Bispos, realizada em Aparecida (SP) de 26 de abril a 5 de maio.
De acordo com o bispo de Paranavaí (PR), dom Geremias Steinmetz, que presidiu a Comissão especial sobre a celebração da Palavra de Deus, o texto pretende refletir sobre como essas comunidades, mesmo não celebrando a Eucaristia dominicalmente, “podem santificar o domingo. O significado do domingo cristão e especialmente as três principais pontuações do domingo que são: dia da comunidade, dia da Palavra e dia da Eucaristia”.

Documentos da Igreja
Segundo o dom Aloísio Alberto Dilli, bispo de Santa Cruz do Sul-RS e membro da Comissão para Textos Litúrgicos da CNBB, foi boa a recepção do texto pelo episcopado. Isto se deve à uma crescente valorização da celebração da palavra na Igreja desde o Concílio Vaticano 2º, com a publicação da Dei Verbum, constituição dogmática que aborda a relação entre sagradas escrituras e tradição.
Dom Aloísio lembra que a exortação apostólica pós-sinodal do Papa Bento XVI Verbum Domini, sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, chega a falar da sacramentalidade da palavra de Deus. “A palavra de Deus tem um caráter perfomativo: através dela Deus fala, Deus realiza”, disse. O documento nº 25 da CNBB, que trata das comunidades eclesiais de base, afirma que a Palavra de Deus torna presente o mistério pascal.
Por meio da palavra, afirma o religioso, acontece a oração, a comunhão das pessoas e o acolhimento. “A palavra de Deus tem uma sacramentalidade. É viva, eficaz e realizadora”, disse destacando, ainda, a afirmação de São Pedro que diz que a “Palavra de Deus é eterna”. O documento recomenda ainda a prática da leitura orante da Palavra de Deus. Por meio dela, as pessoas escutam a palavra, percebem qual a mensagem de Deus em seu contexto e vida e, por meio da oração, elevam seu sentimento ao Pai.

domingo, 30 de abril de 2017

TEMPO DE PÁSCOA - CRISTO RESSUSCITOU, ALELUIA!



É tempo de Páscoa, sentimos o apelo para a renovação da esperança. A esperança é a última que morre, diz o ditado; a Páscoa cristã corrige este ditado para: a esperança não decepciona e, portanto não morre.
A festa da Páscoa era festa da renovação da vida vegetal e animal. As primícias do rebanho e da colheita: o cordeiro e os pães eram oferecidos a Deus que passava à frente de seu povo (judeus) para guiá-lo rumo à liberdade. Uma festa ecológica que há centenas de anos era celebrada pelo povo de Deus; libertado da escravidão do Egito conforme narra a Bíblia: “Que ninguém se apresente de mãos vazias diante do Senhor, cada um traga seu dom, conforme a benção que Deus lhe tiver proporcionado” (Dt 16,16).
Apesar de toda tristeza e de todo drama que devasta o mundo, é Páscoa novamente! É festa da gratidão e da partilha, festa da vida que teima em renascer dos escrombos da morte, porque é mais forte que a morte. Terrorismo, poluição, corrupção e exclusão social, nada disso impede o renascer da vida!
A morte pode até ir ganhando no varejo, mas a vida é que vai ganhar no atacado. Esta é a garantia que temos ao celebrar na fé a vitória de Jesus Cristo morto e ressuscitado. É esta a sabedoria da Páscoa: a vida triunfa!
A Páscoa é celebração da alegria: festa do otimismo. Ela nos faz pensar que são os otimistas que tocam o mundo pra frente, os pessimistas são espectadores. Os pessimistas quebram o entusiasmo vital com a desculpa de serem realistas. Realistas são os otimistas porque não olham só o túmulo, olham para o mistério de luz que vai além. O otimista sabe que até mesmo as coisas dolorosas devem ser envoltas pela luz da alegria, da vida.
A alegria da Páscoa é saber que o grão de trigo ao morrer gera uma vida, nova e poderosa, capaz de produzir muitos frutos. Aproveitemos a lição da Páscoa: Lição de alegria verdadeira, lição de sabedoria, capaz de perceber além do tempo, perceber que a vida teima sempre e acabará por vencer, pois, a última palavra não é da morte, mas da vida.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

FESTA DA DIVINA MISERICORDIA



A Igreja Católica celebra, no segundo domingo da Páscoa, a Festa da Divina Misericórdia, instituída pelo Papa São João Paulo II. Esta festa teve origem na Polônia, em Cracóvia, através das experiências místicas de Santa Irmã Faustina Kowalska, e é hoje celebrada no mundo inteiro.
Santa Ir. Faustina Kowalska, conhecida hoje como Santa Faustina, nasceu em Głogowiec, perto de Łódź (Polônia), aos 25 de agosto de 1905, vindo a falecer ainda jovem, em Cracóvia (Kraków), aos 05 de outubro de 1938. Pertencia à congregação das “Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia.” Ela entrou na congregação em 1924 e ficou apenas 14 anos, até o momento de sua morte. É reconhecida como a “apóstola da Divina Misericórdia”.
O padre Michal Supocko, que era seu confessor, pediu que ela escrevesse os seus diálogos espirituais. Isso resultou em centenas de páginas, que estão traduzidas em muitos idiomas: “o Diário de Santa Faustina”. Encontramos este livro em quase todos as línguas, desde os idiomas indígenas até as línguas dos desertos da África.
Qual seria a imagem da Divina Misericórdia? As freiras da congregação responsáveis pelo Santuário da Divina Misericórdia, em Cracóvia, contam como Santa Faustina orientou a pintura do quadro que representava Jesus misericordioso. Um pintor renomado foi convidado para pintar o quadro: Eugeniusz Kazimirowski, em 1934. Tudo dependeu das informações dela. Depois do quadro pintado, ela disse que por mais linda que fosse a arte, a pintura ainda não representava a beleza que ela tinha intuído e vivido. Abaixo do quadro, veio a grande expressão, verdadeira manifestação de fé: “Jesus, eu confio em vós!” (Jezu, ufam Tobie!) Hoje, essa pintura se encontra espalhada em inúmeras paróquias e residências em todo o Brasil e no mundo.
A celebração da Divina Misericórdia levou muito tempo até entrar na liturgia. Hoje, com a aprovação do Papa João Paulo II, está presente em todos os continentes. Foi o Pe. Michal Supocko que desde 1937, tendo acompanhado Santa Faustina, trabalhou para que fosse introduzido na liturgia o Domingo da Divina Misericórdia (“Eu desejo que o primeiro domingo depois da Páscoa seja a Festa da Misericórdia” (Diário 299). Em 1946, o então cardeal August Hlond, primaz da Polônia, enviou um ofício à Santa Sé pedindo a inserção dessa festa. Em 1957, novamente o tema foi retomado. E em nome do cardeal Stefan Wyszynski, 17 dioceses foram entrevistadas. No dia 19 de novembro de 1958, o Santo Ofício emitiu um decreto confirmando a celebração da Divina Misericórdia. Este decreto foi tornado público alguns meses depois, entrando oficialmente no calendário litúrgico no dia 06 de março de 1959. Mas até ali ainda não havia sido definida uma data oficial para o culto. A irmã Faustina foi beatificada em 18 de abril de 1993, quando a Conferência Episcopal da Polônia retomou o tema, enviando ao Papa um novo pedido para tornar pública esta festa da Divina Misericórdia. Quem oficializou a data foi o Papa Beato João Paulo II no dia 17 de agosto de 2002, na Basílica da Divina Misericórdia, em Cracóvia, declarando o segundo domingo da Páscoa como sendo o dia do culto à Divina Misericórdia. Inclusive, o Papa recomendou que neste culto se fizesse uma novena que deve ser iniciada sempre na Sexta-Feira Santa. Podemos encontrar maior reflexão sobre o tema estudando a encíclica do Papa São João Paulo II “Dives in Misericordia”.
Hoje, vemos em inúmeras paróquias de todo o Brasil e no mundo, e até em ambientes familiares, a prática desta devoção em louvor à Divina Misericórdia. Lembremo-nos de que não é apenas nesse domingo, mas a Misericórdia com os irmãos deve ser praticada a cada instante de nossas vidas.
Jesus Cristo é a primeira fonte da Misericórdia. Assim como seus discípulos, devemos ser os continuadores do amor e do perdão a todos. O Ano da Fé nos convida a acolher as palavras de Jesus, pois são o anúncio da verdadeira paz do coração e da esperança que está enraizada no mistério da cruz na sua paixão e morte e, acima de tudo, na sua gloriosa ressurreição. O Misericordioso Senhor nos deu a participação na sua vitória sobre o pecado e a morte.
Cristo ressuscitado nos ensina a necessidade da misericórdia e nos pede para praticar a caridade. Viver a fé nos impulsiona a levar a sério as palavras de nosso Mestre: Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia (Mt 5,7). A expressão de fé madura está nos atos concretos de caridade. Que a celebração deste domingo fortaleça os nossos corações pela graça de Deus! A misericórdia de Deus está chegando ao nosso irmão por meio de ações concretas, palavras de esperança e constante oração para que desça a misericórdia sobre nós e sobre o mundo inteiro!
"Ajuda-me, Senhor, que minhas mãos possam ser misericordiosas e cheias de boas ações. Eu só sei fazer o bem ao próximo, tomar sobre mim o trabalho mais pesado. Ajuda-me, que o meu pé possa ser misericordioso, para que eu possa correr para ajudar o meu próximo, vencendo a própria fadiga e cansaço. Meu verdadeiro descanso está a serviço dos outros. Ajuda-me, Senhor, que meu coração seja misericordioso, para que eu possa sentir em mim todos os sofrimentos dos outros..."
 (Santa Faustina, Diário, 163).


segunda-feira, 10 de abril de 2017

SEMANA SANTA

A minha alma está triste até à morte: 
ficai aqui e comigo vigiai.



O fel lhe dão por bebida
sobre o madeiro sagrado.
Espinhos, cravos e lança
ferem seu corpo e seu lado.
No sangue e água que jorram,
mar, terra e céu são lavados. 

Ó cruz fiel sois a árvore
mais nobre em meio às demais,
que selva alguma produz
com flor e frutos iguais.

Ó lenho e cravos tão doces,
um doce peso levais. 
Árvore, inclina os teus ramos,
abranda as fibras mais duras.

A quem te fez germinar
minora tantas torturas.
Leito mais brando oferece
ao Santo Rei das alturas. 

Só tu, ó Cruz, mereceste
suster o preço do mundo
e preparar para o náufrago
um porto, em mar tão profundo.

Quis o cordeiro imolado
banhar-te em sangue fecundo. 

Glória e poder à Trindade.
Ao Pai e ao Filho Louvor.
Honra ao Espírito Santo.
Eterna glória ao Senhor,
que nos salvou pela graça
e nos remiu pelo amor.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Campanha da Fraternidade 2017



Durante a Quaresma realizamos a Campanha da Fraternidade que, ao longo dos anos, tem refletido sobre a vida em todas as suas dimensões e levantado questões que necessitam de maior discernimento. Os temas da CF sempre tocam em assuntos sociais, convidando todos os cristãos e a sociedade em geral para uma séria reflexão sobre o tema e um empenho maior em favor da solidariedade e de realidades mais justas e fraternas ao propor que haja conversão pessoal e social para enfrentar os desafios sociais, econômicos, culturais e até mesmo religiosos. A partir de cada CF, os católicos e pessoas de boa vontade são convidados a refletir e agir para transformar a sociedade.
A Campanha deste ano retoma os temas ecológicos anteriores e tem por objetivo “cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho”. Com o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2,15), a CF 2017 pretende à luz da fé, refletir sobre o significado dos desafios apresentados pela situação atual dos biomas e dos povos que neles vivem, abordando as principais iniciativas já existentes para a manutenção de nossa riqueza natural básica e apresentando propostas sobre o que devemos fazer em respeito à criação que Deus nos deu para cultivá-la e guardá-la.
O Brasil tem seis biomas (conjuntos de ecossistemas numa mesma região com semelhantes características e processos de formação): Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado, Pantanal, Caatinga e Pampa, que sofrem interferências negativas desde os primeiros colonizadores ao Brasil, que utilizaram a mão de obra escrava indígena e africana para explorar, extrair, dilapidar as riquezas naturais.
Hoje, com uma população de mais de 200 milhões de brasileiros, sendo mais de 160 milhões vivendo em cidades, o país sofre o impacto dessa concentração populacional sobre o meio ambiente produzindo problemas que põem em risco as riquezas dos biomas brasileiros (TB/CF 2017).
Vivemos no maior bioma do Brasil, a Amazônia, que ocupa 61% do território nacional e abriga mais da metade de todas as espécies vivas do país, possui a maior bacia hidrográfica de água doce do mundo. 80% de sua população vivem nas áreas urbanas, sem saneamento básico e outros direitos básicos.
Os conflitos e a violência contra os trabalhadores do campo se concentram de forma expressiva na Amazônia, para onde avança o capital tanto nacional como internacional. O manejo florestal passou a ser uma atividade na qual foram inúmeras as denúncias de trabalho escravo.
A expropriação privada de grandes áreas de terra continua sendo a principal causa de desmatamento. A pecuária é a principal atividade implantada nas áreas recentemente desmatadas. A construção de grandes hidrelétricas e atividades de mineração são responsáveis por boa parte dos danos ambientais e sociais nas comunidades.
O problema fundamental da Amazônia é o modelo de desenvolvimento adotado para a região. A disputa pelas riquezas faz com que a legislação flutue conforme os interesses das corporações econômicas que atuam na região. A concentração urbana indica que a vida na floresta muitas vezes é inviabilizada para as populações originárias e tradicionais. Todas as lutas indígenas, de ribeirinhos e quilombolas são sempre para manter seus territórios. Porém, mesmo contra a corrente do modelo, é graças a essas populações que ainda temos grande parte da floresta em pé.
O Texto Base da CF 2017 nos permite refletir sobre os biomas e os povos originários à luz da Palavra de Deus e do Magistério da Igreja. A partir da fé cristã, podemos contribuir com as questões da ecologia integral, sobretudo, na convivência harmônica com os nossos biomas. Como afirma o Papa Francisco: “as convicções da fé (nos) oferecem motivações importantes para cuidar da natureza e dos irmãos e irmãs mais frágeis” (LS 64).
As ações propostas nesta Campanha da Fraternidade estão em sintonia com a Doutrina Social da Igreja, com a encíclica Laudato Si e com a CFE de 2016. Elas indicam a necessidade da conversão pessoal e social, dos cristãos e não cristãos, para cultivar e cuidar da criação.
Nesta Quaresma, somos chamados, a partir de nosso bioma e dos povos originários que aqui habitam, a descobrir quais ações são possíveis e, entre elas quais são as mais importantes e de impacto mais positivo e duradouro. Para o Papa Francisco, é devido à atividade humana que o planeta continua a aquecer. Este aquecimento provoca mudanças climáticas que geram a dolorosa crise dos migrantes forçados. Os pobres do mundo, embora sejam os menos responsáveis pelas mudanças climáticas, são os mais vulneráveis e já sofrem os seus efeitos.
A liturgia de hoje supõe uma consciência filial com relação a Deus (Sl 102) e com aqueles que são insignificantes e marginalizados, um amor que serve de critério para ver se a nossa vida é compatível com a companhia de Deus, nosso Pai. As leituras sugerem exemplos concretos para que o comportamento de Deus se torne a regra de nosso agir.
O Livro do Levítico insiste na prática da justiça e caridade nas relações sociais; o apelo de Moisés “Sede santos, porque eu o Senhor, vosso Deus, sou santo” é um convite a imitar a santidade divina. Ensina-nos a agir como Deus age e nos leva a descobrir o próximo naquele que precisa de nossa ajuda (Lv 19,1-2.17-18).
No domingo passado, celebramos a justiça do Reino, proclamada por Jesus, como cumprimento da verda­deira lei; hoje, aprendemos com Jesus o modo como cumprir essa lei, que segue por caminhos contrários a tudo o que o mundo espera. O Evangelho abre a perspectiva do relacionamento humano para além das fronteiras que se costumam construir (Mt 5, 38-48).
À lei da vingança Jesus propõe a não vingança, a não violência. Diante do ódio, do rancor ou da raiva que podemos sentir, Jesus está nos convidando a um novo modo de proceder: não alimentar vingança, não manter o rancor e responder às ofensas recebidas de uma forma totalmente diferente de uma justiça aparentemente “justa”.
No mundo reina divisão entre nações, religiões, classes sociais; até na Igreja ricos e pobres vivem separados. Onde existe esse amor ao inimigo que Jesus ensina? O ser humano realiza sua vocação de ser semelhante a Deus, quando ama a todos com o amor gratuito de Deus, sem procurar qualquer compensação (Konings). Papa Francisco reforça: amemos aqueles que nos são hostis; abençoemos quem fala mal de nós; saudemos com um sorriso a quem talvez não o mereça; não aspiremos a fazer–nos valer, mas oponhamos a mansidão à prepotência; esqueçamos as humilhações sofridas; deixemo-nos guiar sempre pelo Espírito de Cristo: Ele sacrificou-Se a Si próprio na cruz, para podermos ser “canais” por onde passa a sua caridade.
Paulo Apóstolo instrui qual deve ser nosso modo de viver: ser santuários nos quais habita Deus (1Cor 3,16-23). Nós, seguidores do Cristo, aprendemos com ele a ser também habitação divina, casa da santidade, porque vivemos no amor.
Dom Moacyr Grechi
ariquemesonline.com.br


Fonte: https://portalkairos.org/campanha-da-fraternidade-2017/#ixzz4ZJwL74PY