sexta-feira, 28 de março de 2014

De 24 a 26 de maio Papa Francisco viaja à Terra Santa



A Sala de Imprensa da Santa Sé publicou, nesta quinta-feira, o programa oficial da viagem apostólica do Papa Francisco à Terra Santa que se realizará de 24 a 26 de maio. O pontífice celebrará o 50° aniversário do encontro, em Jerusalém, entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras de Constantinopla.
Portanto, o Vaticano confirma a visita, contradizendo informações israelenses sobre uma possível anulação por causa de conflitos trabalhistas no ministério das Relações Exteriores. Além do comunicado oficial com detalhes da viagem do Papa, da Sala de imprensa do Vaticano ressoa a voz do diretor, padre Federico Lombardi que, quando perguntado sobre o assunto, respondeu: "Ao que parece, a partir da publicação desta manhã, o programa de viagem do Santo Padre à Terra Santa continua como planejado"."Estamos cientes - disse ele - que em Israel há uma situação de tensão trabalhista, mas espera-se que retomem rapidamente os contatos formais com as autoridades responsáveis para uma preparação adequada da visita do Papa”.
Conforme o programa, o Santo Padre chegará ao Aeroporto Queen Alia de Amã, na Jordânia, no sábado, 24 de maio, onde se realizará a cerimônia de boas-vindas no Palácio Real Al-Husseini de Amã. Em seguida, a visita ao rei e rainha da Jordânia, o encontro com as autoridades locais e a celebração eucarística no Estádio Internacional da cidade. O Papa também visitará o local do Batismo de Jesus, em Betânia, além do Jordão, e na Igreja Latina, se encontrará com os refugiados sírios e jovens portadores de deficiência.
No domingo, 25 de maio, o Papa partirá para Belém, na Palestina. A seguir, se realizarão: a cerimônia de boas-vindas no Palácio Presidencial, a visita de cortesia ao Presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e o encontro com as autoridades locais. O Pontífice celebrará a missa e a oração do Regina Coeli na Praça da Manjedoura. Depois, almoçará com um grupo de famílias palestinas no Convento Franciscano de Casa Nova. Está prevista a visita particular à Gruta da Natividade.No Phoenix Center, o Papa Francisco saudará as crianças dos campos para refugiados de Dheisheh, Ainda e Beit Jibrin. Depois, o Papa seguirá para Telaviv, em Israel, e de Telaviv para Jerusalém. Na sede da Delegação Apostólica, acontecerá o momento culminante da viagem: o encontro privado com o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, e a assinatura da declaração conjunta.Na Basílica do Santo Sepulcro, se realizará o encontro ecumênico pelo 50° aniversário do abraço entre Paulo VI e o Patriarca Atenágoras. A seguir, o Papa jantará com os patriarcas, bispos e o séquito papal no Patriarcado Latino de Jerusalém.No último dia, segunda-feira, 26 de maio, o Santo Padre visitará o Grã-Mufti de Jerusalém no edifício do Grã-Conselho na Esplanada das Mesquitas. Depois, o Papa visitará o Muro das Lamentações e a seguir depositará flores no Monte Herzl e visitará o Museu do Holocausto, Yad Vashem. No Centro Heichal Shlomo, perto da Jerusalém Great Synagogue, o Papa visitará os dois grandes rabinos de Israel e encontrará o Presidente de Israel, Shimon Peres.Outro momento importante acontecerá no Notre Dame Jerusalem Center, onde se realizará a audiência particular com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Depois do almoço, o Papa visitará o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, no edifício em frente à Igreja Ortodoxa da Viri Galileai no Monte das Oliveiras. Em seguida, Francisco se encontrará com os sacerdotes, religiosos, religiosas e seminaristas na Igreja do Getsêmani. Por fim, no Cenáculo, presidirá a celebração eucarística com os ordinários daTerra Santa e o séquito papal. E se dirigirá para o aeroporto internacional Ben Gurion de Telaviv de retorno para Roma.   

quinta-feira, 13 de março de 2014

13 de Março de 2014 - 1º Ano de Pontificado do Papa Francisco


Parabéns, Papa Francisco, eleito Bispo de Roma e sucessor de Pedro no dia 13 de março de 2013.
Incontável é a multidão que louva e agradece a Deus por viver neste tempo abençoado, do Pontificado do Papa Francisco: “Eis a Igreja da atração”.
1. Um Papa perito em humanidade, um “Papa de carne” como escreveu o cardeal Loris Cappovilla. Criado pela avó, operário numa fábrica de química, quase morreu de uma crise grave de pneumonia. Gosta de futebol, do tango, de música, lecionou psicologia, doutor em filosofia e teologia, mas, morava numa casa pobre, fazia seu jantar, andava de ônibus e metrô, visitava as favelas. Deus o preparava para ser o 266º Papa da Igreja Católica, o “Papa dos pobres” e rico em humanismo.
2. Um Papa místico. Seu dia começa às 4h00 da madrugada. As primeiras horas são passadas diante do tabernáculo. Deixa-se abraçar pela misericórdia, pois seu lema é: “Eleito por misericórdia”. Lembra sempre da necessidade da amizade com Jesus que nos aceita como somos, cura nossas feridas e enche o coração de alegria e coragem. Isso tudo nos leva a dar a vida por Jesus no martírio cotidiano. Jesus nos dá um coração de carne e nos despoja da ambição do sucesso, das aparências, diz o Papa.
3. Um Papa pastor. Ele sente o cheiro das ovelhas. Em Buenos Aires fazia das favelas seu principal campo de pastoral. Não quer que padres e bispos sejam administradores, mas, pastores que  estejam à frente, no meio e atrás do rebanho. Seu pontificado sobressai pela pastoralidade missionária. Convida-nos a sair de casa e do comodismo, e fazer-nos próximos dos outros. Francisco é o “Papa da proximidade”.
4. Um Papa profeta. Denuncia a idolatria do dinheiro, a cultura do descarte, as desigualdades sociais. A prioridade social da Igreja deve ser a inclusão dos pobres. No seu profetismo, combate o carreirismo, a mundanidade espiritual, a acomodação, a mesmice, a lamentação. Chama tudo isso de “psicologia do túmulo” que transforma os cristãos em “múmias de museu”. A desilusão, a tristeza, o cansaço, a mesmice são “o mais precioso elixir do demônio”. Francisco “o Papa da alegria e da esperança”.
5. Um Papa missionário. Eis sua palavra missionária: “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças”. Ele quer uma Igreja em chave missionária, em saída, que vai além, adiante e para frente. Em nome da missão, afirma que a renovação da Igreja é inadiável e a Pastoral deve estar em permanente conversão. Fala também da necessidade da “conversão do papado”. Francisco, o Papa que veio “do fim do mundo”.
6. Um Papa da ternura e da exigência. Ele quer uma Igreja que seja mãe, com portas abertas a exemplo do Pai do filho pródigo. A Igreja é a casa da harmonia onde a unidade acontece dentro da diversidade e da pluralidade. A revolução da ternura acontece quando sabemos ter misericórdia, paciência, humildade. O Papa não quer lamentação, mexerico, azedume, inveja entre os cristãos. “Não deixemos que nos roubem o amor fraterno”. Jesus Cristo nos impele à coragem e audácia, ao diálogo e à proximidade real e cordial, aos pobres e às periferias, pois cada ser humano é uma continuação da Encarnação de Jesus.
Dom Orlando Brandes – Arcebispo de Londrina-PR -  07 março 2014

quarta-feira, 5 de março de 2014

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2014 TEM SUA ABERTURA NESTA QUARTA-FEIRA DE CINZAS


CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2014 TEM SUA ABERTURA NESTA QUARTA-FEIRA DE CINZAS

A Abertura da Campanha da Fraternidade em nossa Diocese acontece nesta quarta-feira de cinzas, às 19h30, em missa presidida na Catedral de Santo Antonio pelo nosso bispo Diocesano dom Fernando Mason.
A CNBB nos apresenta a Campanha da Fraternidade como itinerário de libertação pessoal, comunitária e social. Tráfico Humano e Fraternidade é o tema da Campanha para a quaresma em 2014. O lema é inspirado na carta aos Gálatas: “É para a Liberdade que Cristo nos libertou” (5,1).
O Tráfico Humano viola a grandeza de filhos, é cerceamento da liberdade e o desprezo da dignidade dos filhos e filhas de Deus. Resgatar essa dignidade, identificar as práticas de tráfico humano e denunciá-lo são objetivos dessa Campanha da Fraternidade. Mobilizando cristãos e a sociedade brasileira para erradicar o mal do Tráfico Humano, a Campanha propõe-se a reivindicar dos poderes públicos, políticas e meios para a reinserção das pessoas atingidas e sensibilizar para a solidariedade com ações preventivas.
As principais modalidades do Tráfico Humano são: Trafico para exploração no trabalho, para exploração sexual, para extração de órgãos, para adoção de crianças, para exploração da força de trabalho, para atividade ilícita. O Tráfico Humano caracteriza-se pela ampla estrutura do crime organizado, em rotas nacionais e internacionais e internacionais, pela invisibilidade ajudada pela falta de denúncia e pelo aliciamento e a coação.
A globalização com a competição econômica tem provocado migrações de pessoas em busca de melhores condições de trabalho e de vida. Essas pessoas tornam-se vulneráveis perante a ação de tráfico humano. Temos que distinguir na migração atual, tráfico de pessoas do contrabando de migrantes, pois nesse último, existe o consentimento do trabalhador sujeitando-se a uma condição de ilegalidade. Visando o lucro acima de tudo, a globalização econômica gera uma massa de excluídos sujeitados à terceirização á informalidade e as formas precárias de trabalho. Dessa condição aproveita-se o tráfico humano para aliciar pessoas, com propostas de trabalho enganosas.
O enfrentamento do crime do Tráfico Humano exige a cooperação entre os países, em áreas como a criminal, jurídica, tecnológica, econômica e de meios de comunicação. O Brasil adotou a “Convenção de Palermo” das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional onde foi assinado um Protocolo Adicional conhecido como” Protocolo de Palermo”. Esse instrumento legal internacional, o principal para prevenção, repressão e punição do tráfico humano, define o crime e aponta os elementos que caracterizam:
Os atos mais comuns o recrutamento; o transporte; a transferência; o alojamento; o acolhimento de pessoas.
Os meios que configura o tráfico- ameaça; uso da força; outras formas de coação; rapto; engano; abuso de autoridade; situação de vulnerabilidade; aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre a outra.
A principal finalidade- A exploração da pessoa sob várias formas: prostituição e outras formas de exploração sexual; a servidão; a remoção de órgãos. É importante frisar que, para a configuração do crime de tráfico humano, o consentimento da vítima é irrelevante. Os traficados devem ser vistos como vítima e são protegidos pela lei brasileira, mas ainda faltam leis mais abrangentes quanto ao crime de tráfico de pessoas.
O II Plano Nacional de Enfrentamento ai Tráfico de Pessoas ( 2013-1016) pretende: a Integração e fortalecimento das políticas públicas, redes de atendimento e organizações para a prestação de serviços; capacitação para o enfrentamento ; produção, gestão e disseminação de informação; campanhas e mobilização.
Há necessidade de conscientizar a sociedade da importância de informar, de denunciar ao Poder Público para que se possa investigar e punir os que praticam o crime do tráfico humano, através dos canais oficiais de denúncia disponíveis em todo o Brasil.
 A Igreja é solidária com as pessoas traficadas e comprometidas com a evolução da consciência sobre o valor da dignidade humana, fundamentada na Sagrada Escritura. Essa dignidade é assumida na medida em que o ser humano vive seus relacionamentos: consigo, com a natureza com o outro e com Deus em seu plano de Amor.
A ruptura dessas relações leva ao pecado da violência, da exploração do outro, agressões à dignidade humana como o tráfico de pessoas. A Boa Nova de Jesus como vemos em Gálatas “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (5,1) é uma liberdade para o serviço (Rm 6,22) e para o compromisso com a justiça do Reino ( Rm 6,16) . “Fostes chamados para a liberdade” (Gl 5,13) nos impele a vencer a idolatria do dinheiro, da ideologia e a tecnologia que se encontra na origem do pecado do Trafico Humano, onde o TER sobrepõe-se ao SER. Todo cristão é ungido no Batismo para ser um libertador como Jesus, por isso o Tráfico Humano não é somente uma questão social, mas também, eclesial e desafio pastoral. A Igreja é desafiada a ser advogada da justiça e a defensora dos pobres, cabe a ela emprestar sua voz para quem não consegue gritar, denunciar. Os três caminhos de ação que desponta são: prevenção, cuidado pastoral das vítimas e a sua proteção e reintegração na sociedade.
O Tráfico Humano beneficiado por preconceitos sociais, raciais e sexuais, agride a dignidade e liberdade de todos, por isso sua erradicação deve ser assumida por todos. Uma conversão dos corações para a solidariedade e cuidado com aponta para um caminho de menos opulência, menos concentração de riqueza e esbanjamento. Variam pastorais e organismos envolvidos com o tema foram reunidas pela CNBB ( 2011) no Grupo de Trabalho de Enfrentamento ao Tráfico Humano. Sem essas articulações da Igreja e também com a sociedade civil, não se transformará em realidade os três ps ( prevenção, punição e proteção) planejados pelo II Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (213-216).
Fortalecer a defesa da dignidade do ser humano e esclarecer sobre a grave violação que o Trafico Humano representa, exige que sejamos como o bom samaritano. É preciso resistir “a cultura do bem estar que leva á globalização da indiferença” denunciada pelo Papa Francisco em Lampedusa-Italia.