quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2018




RESUMO DO TEXTO BASE CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2018
Texto de apoio para estudo Paroquial – Padre Tarcísio Spirandio
 VER A REALIDADE DA VIOLÊNCIA
Tendo suas residências guardadas por cercas elétricas, guaritas e vigias, cada vez mais também as pessoas se isolam e sentem nisso uma falsa sensação de segurança. O outro é afastado. Mantêm-se distância não só do inimigo, mas também dos possíveis amigos, como os vizinhos. Eis aí um dos maiores desafios contemporâneos no campo da segurança pública: garantir que as políticas públicas tenham em vista o aumento da solidariedade entre as pessoas, ao invés de enclausurá-las, criando empecilhos ou mesmo impedindo relações interpessoais humanizadas.
UM ALERTA PARA A SOCIEDADE BRASILEIRA:   Apesar de possuir menos de 3% da população mundial, o Brasil responde por quase 13% dos assassinatos do planeta. Em 2014 foram 59.627 mortes (conforme Ipea: consulta em http://www,ipea.gov.br/portal///index.php?option=com_content&id=27412)
AS DIVERSAS FACES DA VIOLÊNCIA – ONDE HÁ PAZ E ONDE HÁ GUERRA NO BRASIL
                                 PRIMEIRO FATOR DA PAZ OU DA GUERRA:
Este número expressivo (59.627 mortes violentas no Brasil, em 2014) revela a contradição da imagem que se tem das terras brasileiras como espaço de povo pacato e ordeiro. Normalmente esta ideia surge onde o Estado se faz presente, justamente nos lugares onde residem pessoas endinheiradas, que podem pagar por segurança particular, também  contam com maior presença da segurança estatal. Nas periferias há ausência da segurança estatal ou só acontece quando há uma operação de combate a isso ou aquilo. Nestes ambientes os moradores são entregues a grupos armados, ao tráfico de drogas, etc.
 SEGUNDO FATOR DA SEGURANÇA OU INSEGURANÇA: O dinheiro demarca onde há paz ou guerra no Brasil. Quem pode pagar por segurança privada tem privilégios no espaço urbano. Visto nesta perspectiva, a segurança se torna um privilégio para poucos.
TERCEIRO FATOR DA VIOLÊNCIA NO BRASIL: O acesso à Justiça, na plenitude que a palavra “justiça” pode abarcar, acontece somente para aqueles que podem pagar bons advogados.
UM DADO ALARMANTE PARA REFLETIR:   Mais da metade da população carcerária,  mesmo depois de anos presa, ainda não compareceu diante de um juiz para julgamento.
A CULTURA DA VIOLÊNCIA:  Na cultura da violência costuma-se atribuir a culpa à vítima. Por exemplo, a estuprada é vista como mulher que se veste de forma imoral ou por não se dar ao respeito. O adolescente, por ser drogado, sofre o que merece e, muitas vezes, a morte. A cultura da violência tende a separar os bons dos maus. Comumente os maus estão nas classes inferiores ou em indivíduos situados em circunstâncias muito particulares, tais como imigrantes, migrantes ou os que têm orientação sexual diferenciada.
A CULTURA DA VIOLÊNCIA QUE GERA A POLÍTICA PAUTADA NA VIOLÊNCIA
Existem hoje, no Congresso Nacional, parlamentares identificados com segmentos econômicos e sociais fortemente interessados em propostas potencialmente geradoras de violência. Eis alguns exemplos:
Políticos defendem o uso de arma de fogo pela população civil sustentando tratar-se de um direito natural, o da autopreservação.
A corrupção é a expressão de que o dinheiro está em primeiro lugar, colocando em segundo plano a dignidade da vida humana.
Não há da parte da maioria dos políticos uma efetiva conscientização da população para que participe da atividade política para além do voto. Para inibir a maioria da população na participação política, vários políticos criminalizam os movimentos sociais que têm pontos de vista diversos daqueles que desejam aprovar projetos mais voltados aos interesses econômicos (dinheiro) que ao bem comum dos cidadãos.
AS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA NO BRASIL HOJE
No mapa da violência 2016 constata-se que morrem muito mais pessoas negras que brancas. Isso pode ser verificado nos homicídios cometidos contra jovens. Em 2011 houve quase 28.000 assassinatos de jovens. Destes, quase 20.000 vítimas eram compostas por jovens negros.
As vítimas mulheres também são significativas na violência. Em 2013 houve 4.762 assassinatos de mulheres, o que significa 13 mulheres mortas por dia no Brasil naquele ano. Numa lista de 83 países, o Brasil ocupa a quinta posição entre as nações que mais assassinam mulheres.  O que é mais preocupante é que grande parte destes assassinatos acontecem no âmbito doméstico.
A pobreza – miséria, na verdade – é uma das piores formas de violência que uma criança pode enfrentar. Toda criança necessita na primeira infância de recursos educacionais, alimento, ambiente saudável e, principalmente, carinho. Infelizmente há casas sem banheiro, onde não se come nem duas vezes por dia. Uma coisa básica: não se tem guarda-roupa para organizar as vestes, que ficam jogadas pelo chão. É desta camada da população que os traficantes de pessoas encontram suas vítimas para a exploração sexual, comércio de órgãos, pornografia infantil, tornando o ser humano numa mercadoria.
Outra face da violência do Brasil atual é o narcotráfico. Os barões internacionais do tráfico são poupados. Pobres, negros e usuários das drogas são presos e jogados em prisões que jamais vão recuperá-los por não ser esta a preocupação central. Os presídios e cadeias brasileiros estão com superlotação de pequenos traficantes com idade entre 18 e 29 anos, cuja maioria não completou o ensino fundamental. Quase 70% das mulheres presas no Brasil estão nos cárceres por conta do tráfico de drogas.
Infelizmente o Brasil não tem uma política pública eficaz de combate às drogas porque a reduziu somente às investidas nos morros ou favelas, esquecendo que a promoção de emprego, cultura, educação e lazer para adolescentes e jovens são elementos vitais para este combate.
INEFICIÊNCIA DO APARATO JUDICIAL PARA O COMBATE À VIOLÊNCIA NO BRASIL
O sistema judicial brasileiro é moroso e seletivo, o que produz resultados negativos como a sensação de impunidade. Por outro lado, são mais de 650 mil presos no Brasil vivendo em condições degradantes e, grande parte, sem uma sentença definitiva por conta da morosidade judicial ou porque, sem recursos, são assessorados por defensores públicos.. Dentro das prisões progridem as organizações criminosas, que se aproveitam da inoperância do sistema judicial cedendo favores e privilégios àqueles que os obedecem na prática dos delitos dentro e fora das prisões.
POLÍCIA E VIOLÊNCIA
Não de pode negar que uma parcela da população deseja uma polícia violenta. São aquelas pessoas que julgam fazer parte da parte “boa” da sociedade. Por isso vibram quando enxergam um criminoso morto. A partir desta ideia muitos policiais reagem de forma violenta, mas muitos terminam mortos por vários fatores. Primeiro porque o Estado lhes oferece equipamentos obsoletos (armas de calibre inferior aos dos meliantes e veículos sem blindagem). Há denúncias, inclusive de coletes à prova de balas vencidos ou de baixa qualidade. Outro fator do aumento do número das mortes de policiais se dá pela baixa remuneração. Muitos militares assumem trabalhos complementares (os bicos de segurança em supermercados, lojas, etc.). Sem os equipamentos, embora obsoletos, quando estão na tropa, sem eles nos trabalhos privados ficam muito mais expostos à possibilidade da morte, uma vez que enfrentam criminosos com fuzis e outras armas potentes.
RELIGIÃO E VIOLÊNCIA:  Infelizmente no Brasil se tem constatado o aumento da violência religiosa promovida pelo fanatismo e a intolerância. As religiões de matiz africanas são as que mais sofrem perseguições e intolerância. O Brasil teve 697 denúncias de intolerância religiosa entre 2011 e 2015. Isso significa que a cada três dias houve algum tipo de violência contra as práticas religiosas africanas no Brasil.
TRÂNSITO E VIOLÊNCIA:  Todo ano, no Brasil, perto de 50.000 pessoas morrem vitimadas pelo trânsito. Muitas destas mortes poderiam ter sido evitadas obedecendo a algumas regras básicas tais como:
Se beber não dirija.     Não use celular ao volante.   Respeite o pedestre na faixa de segurança
Porém um dos fatores maiores da violência é a impunidade. Lembremos-nos da morosidade da justiça e dos inúmeros recursos possíveis para levar um julgamento por anos a fio sem que o culpado seja efetivamente punido.
(Quanto à violência ao meio ambiente, leia os resumos das Campanhas da Fraternidade 2016 e 2017 em spirandiopadre.wordpress.com)
JULGAR A VIOLÊNCIA PELO OLHAR BÍBLICO
  • ANTIGO TESTAMENTO
O primeiro ato de violência apresentado na Bíblia é o rompimento da relação do homem com Deus no paraíso. Este rompimento conduz à convivência violenta manifestada no assassinato de Abel pelo irmão Caim (Gn 4,1-16). A partir deste homicídio, a violência de espalha. Tudo o que foi criado por Deus, que considerou bom, ficou maculado pelo pecado e pela violência do ser humano. Lembremos que Caim ao ser perguntado por seu irmão, respondeu a Deus: “Acaso sou o guarda do meu irmão?” (Gn 4,9). Portanto, podemos concluir que a violência somente poderá ser superada pela reconciliação do homem com Deus e consequente inversão da frase de Caim, entendendo-nos todos como responsáveis uns pelos outros.
Vários textos bíblicos irão proibir o assassinato (Ex 20,13; Dt 5,17) bem como a cobiça da mulher e dos bens alheios (Ex 20,14.17; Dt 5,18.21). Para superar a violência, o ser humano deverá estar sempre com a verdade (Ex 20,16; Dt 5,20). A Lei de talião (olho por olho, dente por dente – Ex 21,24; Lv 24,20) estabeleceu uma justiça proporcional ao mal praticado, sem que houvesse uma vingança exagerada.
Outros textos da Sagrada Escritura motivam à acolhida ao estrangeiro (Ex 23,9), assim como a superar o ódio contra o irmão (Lv 19,17). O que Jesus falou, já havia sido dito tempos antes: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18).
Os profetas é que irão refletir com mais propriedade a violência estabelecendo suas causas e eventuais remédios para combatê-la.  Ao enfrentar a violência muitos profetas a sofreram, como foi o caso de Jeremias mantido numa cisterna como prisioneiro (Jr 37-38). Elias teve que fugir para o deserto para escapar (1Rs 19,2). Amós foi expulso do santuário de Betel (Am 7.10-17). Para a superação da violência os profetas convidam seus contemporâneos para a prática da justiça e da compaixão (Am 5,24; Jr 22,3). Isaías apresenta a receita do remédio para a violência de forma explícita: “Lavai-vos, limpai-vos, tirai da minha vista as injustiças que praticais. Parai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem, buscai o que é correto, defendei o direito do oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva” (Is 1,16-17). Mais adiante Isaías diz que o fruto da justiça será a paz, que trará tranquilidade e segurança duradouras (Is 32,16-18).
Os livros Sapienciais apresentam de forma mais madura a superação da violência:
“Não trames o mal contra o amigo, quando ele vive contigo cheio de confiança. Não abras processo contra alguém sem motivo, se não te fez mal algum. Não invejes a pessoa injusta e não imites nenhuma de suas atitudes, pois o Senhor detesta o perverso” (Pr 3,29-32). Veja também Pr 4,14; 12,20; 13,2; 25,21).
Quase um terço dos 150 Salmos da Bíblia trata sobre a violência individual e testemunham a dor e a devastação causada pelos violentos (Veja como exemplo os Sl 7,2-3; Sl 10,7-8; Sl 27,12).
  • NOVO TESTAMENTO
À luz da palavra definitiva de Deus que nos é dada por Jesus é que toda a delicada temática da violência e da vingança na Bíblia recebe uma palavra definitiva. Jesus diz:
“Ouvistes o que foi dito: amarás a teu próximo e odiarás a teu inimigo. Eu vos digo: Amai os vossos inimigos e orais pelos que vos perseguem. Assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus; pois ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e cair a chuva sobre injustos e justos. Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os publicanos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Sede, portanto, perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,43-48).
A perfeição solicitada em Mateus é dita no Evangelho de Lucas como misericórdia (Lc 6,35). Jesus propõe algo maior que a mera vingança. Diz o Filho de Deus:
“Ouvistes o que foi dito: olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não ofereçais resistência ao malvado. Pelo contrário, se alguém te bater na face direita. Oferece-lhe também a esquerda” (Mt 5,38-42).
Nas bem-aventuranças, Jesus declara que aqueles que promovem a paz serão chamados filhos de Deus (Mt 5,9). A promoção da paz se torna ministério de todo cristão, uma paz deixada por Jesus:
“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. Não é à maneira do mundo que eu a dou” (Jo 14,27).
Nas palavras de Jesus podemos encontrar a fonte da qual nasce a violência:
“Nada que, de fora, entra na pessoa pode torná-la impura. O que sai da pessoa é que a torna impura. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções: imoralidade sexual, roubo, homicídios, adultérios, ambições desmedidas, perversidades, fraude, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, insensatez. Todas estas coisas saem de dentro e são elas que tornam alguém impuro” (Mt 7,14-15.21-23).
É, pois, o coração do homem que precisa ser pacificado para que possa superar a ideia que o outro é um risco a ser eliminado. A superação da violência passa necessariamente pela conversão dos atos do homem que pressupõe uma conversão do seu coração. A espiritualidade é apontada como um instrumento necessário para este processo:
“Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem” (Mt 5,44).
“…brilhe a vossa luz diante das pessoas, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16).
Em todos estes casos a oração e a confiança em Deus são as únicas armas utilizadas pelos não violentos.
O FILHO VENCE A VIOLÊNCIA PELO AMOROSO DOM DE SI
Para os cristãos, a superação da violência se baseia em sua profissão de fé, que começa afirmando:
“Creio em Deus, Pai todo poderoso, criador do céu e da terra”.
A confissão de fé em um Pai comum é a semente da fraternal convivência entre os seres humanos. Malaquias já anunciava esta comum paternidade dizendo:
“Acaso não temos nós o mesmo Pai? Não foi o mesmo Deus quem nos criou? Por que, então, nos enganamos uns aos outros?” (Ml 2,10.16b)
A violência testemunhada desde o fratricídio de Abel por Caim é assumida por Jesus em seu corpo. Ele transforma a violência sofrida em amor ofertado. Diz São Pedro:
“Quando injuriado, não retribuía as injurias; atormentado, não ameaçava. Carregou nossos pecados em seu próprio corpo, sobre a cruz, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça” (1 Pd 2,23-24).
A IGREJA CONVIDA A PROMOVER A CULTURA DO DIÁLOGO
O Concílio Vaticano II diz:
“Para edificar a paz é preciso eliminar as causas das discórdias entre os homens, que são as que alimentam as guerras e, sobretudo, as injustiças. Muitas delas provêm das excessivas desigualdades econômicas e do atraso em lhes dar os remédios necessários. Outras nascem do espírito de dominação e do desprezo pelas pessoas” (GS n. 83).
Preocupado com a violência crescente, o então Papa Paulo VI, agora beatificado, criou em 1968 a comemoração do dia mundial pela paz, celebrado sempre no primeiro dia do ano. Na mensagem para o primeiro dia mundial da paz o Beato Paulo VI falou da necessidade de um espírito novo, um novo modo de pensar o homem e seus deveres e o seu destino, o qual por sua vez, se constrói com uma nova pedagogia: a educação das novas gerações para o respeito mútuo, para a fraternidade e para a colaboração entre as pessoas, em vista do progresso e do desenvolvimento. Nesta ocasião, em vista disso, indica um conjunto de valores: a sinceridade, a justiça, o amor, a liberdade das pessoas e dos povos, o reconhecimento dos direitos da pessoa humana e da independência das nações. E proclama com convicção:
“… do Evangelho pode brotar a paz, não para tornar os homens fracos e moles, mas para substituir nas suas almas os impulsos da violência e da prepotência pelas virtudes viris da razão e do coração dum humanismo verdadeiro!”
Na celebração do dia mundial da paz de 2017 o Papa Francisco disse:
“Todos nós desejamos a paz; muitas pessoas a constroem todos os dias com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam pacientemente a dificuldade de tantas tentativas para construí-la”.
A campanha da fraternidade deste ano nos convoca a viver a prática de Jesus no exercício dos pequenos gestos que o Papa Francisco destaca na ação do Filho de Deus:> a escuta, a saída missionária, o acolhimento, o diálogo, o anúncio da paz e a denúncia da violência na dimensão pessoal e social. A lógica do amor é o único instrumento eficaz diante das ações violentas
Na busca da superação da violência como seguimento de Jesus Cristo vale lembrar que em 2007 foi beatificado como mártir o leigo austríaco Franz Jagerstatter, casado e pai de família. Ele rejeitou prestar qualquer tipo de colaboração e de apoio aos nazistas, Foi por isso condenado à morte e decapitado em 09/08/1943. Sua beatificação repropõe o convite a resistir a toda forma de violência e a consagrar todos os esforços possíveis pela causa da paz.
AGIR – AÇÕES PARA A SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA
Um agir que supera a violência tem como fundamento o Evangelho que aponta para a grandeza da vida e a beleza do viver. Testemunhar a beleza da vida e a graça de vivermos todos como irmãos! Essa verdade do Evangelho deveria ecoar em nossos corações, em nossas comunidades e em nossa sociedade.
Por isso, a Campanha da Fraternidade de 2018 nos convoca a viver a prática de Jesus no exercício da escuta, da saída missionária, do acolhimento, do diálogo, do anúncio e da denúncia da violência na dimensão pessoal e social. A lógica do amor é o único instrumento eficaz diante das ações violentas.
PISTAS DE AÇÃO CONCRETA:
A Igreja está intimamente ligada às pessoas, à sua história e aos acontecimentos que marcam a vida de todos. Fiel a Jesus Cristo, que quer que todos os povos sejam seus discípulos e vivam o mandamento do amor, para isso é preciso trilhar um caminho feito de passos como:
– A comunidade insira o tema da paz em sua liturgia e oração
– Articular por meio do Ecumenismo e do diálogo inter-religioso, momentos de oração pela paz em lugares simbólicos.
– Conhecer as realidades próximas da comunidade que apresentem conflitos, para um discernimento sobre as melhores soluções e contribuições possíveis.
– Acompanhar famílias, jovens, grupos de bairros rivais, escolas com incidência de conflitos em vista de superá-los.
– Incluir o tema da superação da violência nos programas de formação para a Iniciação Cristã, Catequese e Pastoral Juvenil.
– Promover uma Pastoral Familiar capaz de ajudar cada família a superar os problemas da violência doméstica.
– Utilizar os meios de formação como homilia, catequese, encontros, cursos, escolas da fé, para aprofundar temas relativos à superação da violência, a fim de atingir as pessoas que participam da vida da comunidade cristã.
CONCLUSÃO
Fraternidade e superação da violência indica um caminho. A misericórdia, sem dúvida, indica caminhos novos e desafiadores: “Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam. Falai bem dos que falam mal de vós e orai por aqueles que vos caluniam. Se alguém te bater numa face, oferece também a outra. Amai os vossos inimigos, fazei o bem e prestai ajuda sem esperar nada em troca. Sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bondoso também para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos como vosso pai é misericordioso” (Lc 6,27-29.35-36).
A Campanha da Fraternidade, abordando a realidade, nos provoca a sermos construtores da paz e gestores da fraternidade. Superar a violência é tarefa de todo cristão, pois recebemos o mandamento do amor como vocação e missão. Fomos em Cristo adotados como filhos e filhas, recebemos a dignidade filial (Gl 4,5). Superamos a violência quando fomos tomados pela paternidade de Deus e pela filiação em Jesus. Em Cristo, somos todos irmãos.

Padre Tarcísio Spirandio – Paróquia Santo Antonio e Nossa Senhora Aparecida – Itatiba
Diocese de Bragança Paulista – SP. – Sob o pastoreio de Dom Sérgio Aparecido Colombo

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

“Então é Natal, e o que você fez? O ano termina, e nasce outra vez…”



 “Então é Natal, e o que você fez? O ano termina, e nasce outra vez…”

Pois é… 2017 terminou e depois de um ano inteiro de altos e baixos, de turbulências e recomeços, de acidentes inexplicáveis e atentados terroristas apavorantes, enfim, depois de um ano que parecia que não ia terminar nunca, finalmente olhamos para trás e pensamos: “nossa… já estamos no final do ano…”
O tempo as vezes parece que está passando muito rápido não é mesmo? Ou será que estamos cada dia mais atarefados e percebendo menos os pequenos sinais do dia a dia e as diversas alegrias que eles podem nos oferecer?
Quanto tempo faz que, em meio a tantas informações (in)úteis, você não se senta num banco de praça para simplesmente contemplar as crianças brincando, as flores se abrindo, o sol se pondo, o ar que entra e sai automática e freneticamente de seus pulmões, enfim, quanto tempo faz que você não sente de verdade a vida que existe aí dentro de você?
É isso mesmo… muitas pessoas talvez nunca tiraram um tempo para relaxar de verdade, deixar a vida ditar o ritmo das coisas, mesmo que por poucos minutos…
Estamos cada vez mais com menos tempo para fazer o que realmente importa em nossa vida… e a sensação no final do ano é a de que não aproveitamos como deveríamos ter aproveitado os momentos… daí bate aquele sentimento estranho, parecido com uma frustração e insatisfação… aquela vontade de que no ano que se aproxima as coisas possam ser diferentes… e passamos então a fazer promessas descabidas, que sabemos que não vamos conseguir cumprir, mas servem para aliviar a ansiedade instalada em nosso ser…
E porque não conseguiremos cumprir as promessas de ano novo? Porque é que tentamos nos enganar? Será mesmo que não podemos fazer com que esse ano de 2018 seja realmente diferente?
Para levarmos uma vida mais leve, mais criativa, precisamos entender primeiro que isso não vai cair do céu. Não conseguiremos cumprir nossas promessas se não planejarmos direito como iremos fazer isso acontecer.
Normalmente acontece assim: estipulamos uma meta agressiva (afinal o ano é longo, então posso prometer que vou alcançar o que eu quiser), mas nos esquecemos de quebrar essa meta em pequenos objetivos para serem atingidos antes da meta final.
Quando vemos esses “pequenos” objetivos no papel, fica  mais fácil cumprir um a um, e até mesmo superá-los.
Ao estipularmos uma meta ousada, podemos (pra não dizer “devemos”) quebrar essa meta em objetivos menores, que, completados um após outro (como etapas), farão com que a meta principal seja alcançada. E devemos celebrar cada “pequena meta” concluída para nos sentirmos motivados a continuar caminhando.
Dessa maneira não teremos que nos sentir culpados ou frustrados quando o ano chegar ao fim… quando, em dezembro de 2018, você ouvir novamente o famoso “Então é Natal, e o que você fez?”, você poderá olhar para trás e perceber que, se o objetivo maior não foi alcançado ainda, pequenas etapas já foram concluídas, fazendo com que o objetivo esteja certamente mais próximo da realização. Ao se lembrar das celebrações pelas “pequenas conquistas”, se sentirá feliz, por ter aproveitado cada momento como uma vitória.
É a maneira mais curta de responder à questão principal colocada neste texto: “Será mesmo que não podemos fazer com que o ano de 2018 seja realmente diferente?” Depende só de você!
Que suas metas sejam realizáveis e as ações sejam sempre firmes com direção ao seu Caminho, seja ele qual for. Desejo a você, um ano novo para uma vida nova, com mais criatividade (e atividade).
Esse ano termina, mas outro novinho em folha, começa outra vez! 
E no próximo ano continuaremos evoluindo por aí. 

sábado, 23 de dezembro de 2017

Então é Natal...




A alegria do Natal é a resposta de Deus à tristeza do homem. Cumprindo as promessa feitas à Abraão e à sua descendência (cf. Lc 1, 55), Ele visita hoje o povo que, segundo o Seu beneplácito, escolheu para Si; fá-lo, porém, para além de tudo quanto o coração humano possa esperar: cheio de bondade e ternura, o Pai de misericórdias (cf. 2Cor 1, 3) envia-nos numa carne (cf. 1Jo 4, 2) em tudo semelhante à nossa, menos no pecado (cf. Hb 4, 15), o Seu "Filho bem-amado" (Mc 1, 11). Deus hoje Se encarna, faz-Se presente aos que por tanto tempo fugiram à Sua presença. Escondido na humildade de um recém-nascido, Jesus Cristo assume hoje todas as perfeições e delicadezas por que quis ser prefigurado e anunciado aos nossos pais na fé: a inocência de um Abel, a pureza de um José, a mansidão de um Moisés—tudo isto se encarna hoje, sob a doçura frágil de um menino, n'Aquele que Se faz carne por amor ao homem. É o mesmo Senhor que, permanecendo o que era e assumindo o que não era, faz tremer a humanidade diante do mistério de Sua presença e da presença deste tão grande Mistério.
A alegria do Natal é, pois, a resposta de um Amor que, vendo a solidão e o sofrimento humanos, quis sofrer conosco, quis vir a este desterro para tirar-nos a nós, degredados da glória celeste, da nossa solidão terrena. Assumindo a nossa natureza, Ele nos chama a participar da Sua; padecendo as nossas dores, Ele nos convida a gozar as Suas alegrias. O Filho de Homem, contudo, não tem hoje onde reclinar a cabeça (cf. Mt 8, 20): Ele nos deu tudo o que temos e Se priva agora de tudo o que, por direito, poderia ter. Ele, que é muito mais do que sequer podemos conceber, faz-Se servo dos que deseja chamar amigos. Deus é, de hoje em diante, Deus conosco, o Emanuel há tanto esperado! Porque só Ele poderia vir, só Ele poderia transpor o abismo que existe entre a nossa indigência e solidão e a plenitude de amor e comunhão de que goza a Trindade Santa pelos séculos sem fim.
Que este Natal seja de profunda e sentida gratidão pela forma maravilhosa por que o Pai quis salvar-nos, reconciliando-nos Consigo, e dar-nos a conhecer o Seu amor por nós, vivido até o extremo da Cruz por Aquele que não nos desprezou, não teve nojo de nós—antes, preferiu ser Ele mesmo desprezado e rejeitado pelos que eram Seus (cf. Jo 1, 11), para que todo o que n'Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna (cf. Jo3, 18). Demos graças ao Senhor pela única e verdadeira boa notícia que nos foi anunciada: hoje nasceu para nós um Salvador, que é o Cristo Senhor! Não estamos mais a sós! Glória e honra a Ele por todos os séculos dos séculos. Amém.


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

FORMAÇÃO PERMANENTE 2017











PROGRAMAÇÃO PARA O ENCONTRO DIOCESANO DE FORMAÇÃO PERMANENTE PARA DIÁCONOS E ESPOSAS:







Sábado

07h Chegada, acolhida e entrega do material aos participantes
A equipe de música vai acolhendo na Capela os que chegam, e realiza o ensaio dos cânticos para a Santa Missa e a oração de Laudes
07h30 Celebração da Santa Missa com ofício de Laudes (Liturgia das Horas)
08h15 Café-da-manhã
09h Canto de animação e apresentação do assessor e dos membros das equipes de organização do encontro
09h10 Assessor (1ª parte): A importância pastoral da CPD na ausência do presbítero e a sua história na tradição da Igreja
09h30 Assessor (2ª parte): A presidência da CPD e as indicações litúrgico-pastorais do Magistério da Igreja sobre a CPD
10h30 Assessor (3ª parte): Estudo comparativo da estrutura dos 2 rituais da igreja aprovados pela Santa Sé para uso na CPD
12h Recitação da oração do Ângelus Domini
12h10 Almoço e tempo livre
13h30 Animação musical e ensaio de cantos para as Vésperas e Completas
14h Assessor (4ª parte): Estudo teológico, litúrgico e pastoral da presidência dos Ritos Iniciais na CPD: análise dos textos, gestos e ritos presentes nos rituais e em outros “subsídios populares” (livros, folhetos, etc)
14h45 Assessor (5ª parte): Estudo teológico, litúrgico e pastoral da presidência da Liturgia da Palavra na CPD: análise dos textos, gestos e ritos presentes nos rituais e em outros “subsídios populares” (livros, folhetos, etc)
15h15 Grupos para estudo de algumas das orientações da Igreja para a realização da homilia na CPD presidida por um diácono
16h Café-da-tarde
16h15 Assessor (6ª parte): Estudo teológico, litúrgico e pastoral da presidência do “Momento de Louvor e Ação de Graças” na CPD: análise dos textos, gestos e ritos presentes nos rituais e em outros “subsídios” populares (livros, folhetos, etc)
18h Recitação da oração do Ângelus Domini (Sala de palestras)
18h05 Celebração do Ofício de Vésperas (Liturgia das Horas)
18h35 Tempo livre para banho
19h30 Jantar
20h45 Assessor (7ª parte): Estudo teológico, litúrgico e pastoral da presidência do Rito da Comunhão na CPD: análise dos textos, gestos e ritos presentes nos rituais e em outros “subsídios” populares (livros, folhetos, etc)
21h30 Assessor (8ª parte): Estudo teológico, litúrgico e pastoral da presidência dos Ritos Finais na CPD: análise dos textos, gestos e ritos presentes nos rituais e em outros “subsídios” populares (livros, folhetos, etc)
22h Celebração do Ofício de Completas (liturgia das horas)
22h30 Descanso noturno

Domingo
07h00  Despertar
07h30 Celebração do Ofício de Laudes (Liturgia das Horas)
08h Café-da-manhã
08h30 Exibição do Filme “Celebração Dominical da Palavra” (Verbo Filmes) e comentários críticos: breve partilha sobre as orientações sobre a CPD dirigida por um(a) Ministro(a) Leigo(a)
09h30 Trabalhos em grupos:
Grupo 1: Tempo do Advento
Grupo 2: Tempo do Natal
Grupo 3: Tempo da Quaresma
Grupo 4: Tempo da Páscoa
Grupo 5: Tempo Comum
Grupo 6: Solenidades e Festas do Senhor
Grupo 7: Solenidades e Festas da Virgem Maria
Grupo 8: Memória dos Santos, Apóstolos e Mártires
10h30 Tempo livre
11h Celebração da Santa Missa do 22º Domingo do Tempo Comum
12h Oração do Ângelus Domini e Almoço
13h30 Animação musical
14h Momento de avaliação litúrgica das celebrações
14h15 Plenário dos grupos para esclarecimento de dúvidas e orientações do assessor
15h Celebração de Adoração e Bênção Eucarísticas
16h Encerramento



terça-feira, 29 de agosto de 2017

DIA NACIONAL DO CATEQUISTA



Estimado amigo catequista,
Paz e bem!
CATEQUIZAR é aproximar, ouvir e estar junto, participar é sofrer e alegrar com alguém ou para alguém. Este alguém pode ser, a criança, o adolescente, o jovem, o adulto, o velho, o enfermo, ou uma pessoa que necessita de nossa atenção.
CATEQUISTA é aquele que vê no próximo um ser com possibilidades de ser transformado. Não é fazê-lo á nossa semelhança, mas sim avaliar suas potencialidades e deduzir até onde aproveita-las.
SER CATEQUISTA é sentir-se responsável por uma igreja sinal de Deus Amor, Pai e Mãe, esperança dos aflitos e sofredores.
O CATEQUISTA não desiste! A derrota de hoje, pode estar na vitória do amanhã. Acreditamos que na função missionária de catequizar, é ter também a capacidade mental de experimentar, muitas vezes a derrota, repetir com convicção: Vou continuar! É preciso fundamentar essa vocação com a leitura da Palavra de Deus, participar das formações oferecidas na paróquia, na região pastoral e na diocese, aprendendo dos simples, ter olhos abertos, atentos á realidade; ter coração humano, fraterno, é ser continuador de Cristo entre os humilhados.
Vamos ser catequistas renovados, inculturados, sem medo, profetas dos dias de hoje, criem pistas de saída; procurem fontes abastecedoras; planejem caminhadas, participem da comunidade, valorizem-se! estimulem-se! unam-se! catequistas de nossa diocese.
chegou a hora da catequese viva, eficaz, transformadora.
QUERIDO CATEQUISTA valorize a sua hora, é a hora dos profetas, não se cale, Não deixe a palavra de Deus morrer afogada no poço do medo. Seja profeta, porta-voz de Deus- Amor.
A igreja está com você! É neste espírito que desejamos agradecer ao Senhor o dom da vida de todos os catequistas da nossa Diocese de Piracicaba. Escolhidos por Deus (Jo 15, 16), servem na humildade e com alegria nossas comunidades, promovendo a educação da fé, fazendo ecoar constantemente a Palavra de Deus e formando semeadores da Esperança do Reino de Deus. Que o Senhor, na sua infinita bondade e ternura, os faça instrumentos de sua Paz. Como sabemos, neste ano, o Dia do Catequista será celebrado em nível de região pastoral. Exortamos que este dia seja marcado pelo companheirismo e fraternidade evangélica, buscando fortalecer os laços de amizade entre os educadores da fé de cada região pastoral. Que Maria, estrela da Nova Evangelização, a Senhora da Saúde, proteja e inspire nossos catequistas na sagrada e sublime missão de fazer ecoar a Palavra de Deus.
 Abraço fraterno, com minha benção.
Diácono Flori
Pela Coordenação Diocesana de Catequese
Parabéns pelo seu dia!


quarta-feira, 24 de maio de 2017

CELEBRAÇÃO DA PALAVRA


“A celebração da palavra é forma privilegiada de encontro com o Senhor”, diz dom Aloísio Dilli“


“A celebração da palavra é forma privilegiada de encontro com o Senhor”, diz dom Aloísio Dilli
Cerca de 70% das comunidades católicas no Brasil não têm acesso à Celebração da Eucarística presidida por um ministro ordenado. O dado faz parte do Documento 43 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que trata da animação da vida litúrgica no país. É neste contexto que a entidade destacou uma Comissão Especial da Celebração da Palavra para elaborar um documento com orientações para as comunidades que se encontram nesta situação.
A Comissão foi formada a partir de uma solicitação do Conselho Permanente da CNBB com a missão de caracterizar melhor a Celebração da Palavra de Deus e oferecer propostas concretas de roteiros, diante da realidade atual, oferecendo novas pistas de ação. O texto foi aprovado na 55ª Assembleia Geral dos Bispos, realizada em Aparecida (SP) de 26 de abril a 5 de maio.
De acordo com o bispo de Paranavaí (PR), dom Geremias Steinmetz, que presidiu a Comissão especial sobre a celebração da Palavra de Deus, o texto pretende refletir sobre como essas comunidades, mesmo não celebrando a Eucaristia dominicalmente, “podem santificar o domingo. O significado do domingo cristão e especialmente as três principais pontuações do domingo que são: dia da comunidade, dia da Palavra e dia da Eucaristia”.

Documentos da Igreja
Segundo o dom Aloísio Alberto Dilli, bispo de Santa Cruz do Sul-RS e membro da Comissão para Textos Litúrgicos da CNBB, foi boa a recepção do texto pelo episcopado. Isto se deve à uma crescente valorização da celebração da palavra na Igreja desde o Concílio Vaticano 2º, com a publicação da Dei Verbum, constituição dogmática que aborda a relação entre sagradas escrituras e tradição.
Dom Aloísio lembra que a exortação apostólica pós-sinodal do Papa Bento XVI Verbum Domini, sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, chega a falar da sacramentalidade da palavra de Deus. “A palavra de Deus tem um caráter perfomativo: através dela Deus fala, Deus realiza”, disse. O documento nº 25 da CNBB, que trata das comunidades eclesiais de base, afirma que a Palavra de Deus torna presente o mistério pascal.
Por meio da palavra, afirma o religioso, acontece a oração, a comunhão das pessoas e o acolhimento. “A palavra de Deus tem uma sacramentalidade. É viva, eficaz e realizadora”, disse destacando, ainda, a afirmação de São Pedro que diz que a “Palavra de Deus é eterna”. O documento recomenda ainda a prática da leitura orante da Palavra de Deus. Por meio dela, as pessoas escutam a palavra, percebem qual a mensagem de Deus em seu contexto e vida e, por meio da oração, elevam seu sentimento ao Pai.

domingo, 30 de abril de 2017

TEMPO DE PÁSCOA - CRISTO RESSUSCITOU, ALELUIA!



É tempo de Páscoa, sentimos o apelo para a renovação da esperança. A esperança é a última que morre, diz o ditado; a Páscoa cristã corrige este ditado para: a esperança não decepciona e, portanto não morre.
A festa da Páscoa era festa da renovação da vida vegetal e animal. As primícias do rebanho e da colheita: o cordeiro e os pães eram oferecidos a Deus que passava à frente de seu povo (judeus) para guiá-lo rumo à liberdade. Uma festa ecológica que há centenas de anos era celebrada pelo povo de Deus; libertado da escravidão do Egito conforme narra a Bíblia: “Que ninguém se apresente de mãos vazias diante do Senhor, cada um traga seu dom, conforme a benção que Deus lhe tiver proporcionado” (Dt 16,16).
Apesar de toda tristeza e de todo drama que devasta o mundo, é Páscoa novamente! É festa da gratidão e da partilha, festa da vida que teima em renascer dos escrombos da morte, porque é mais forte que a morte. Terrorismo, poluição, corrupção e exclusão social, nada disso impede o renascer da vida!
A morte pode até ir ganhando no varejo, mas a vida é que vai ganhar no atacado. Esta é a garantia que temos ao celebrar na fé a vitória de Jesus Cristo morto e ressuscitado. É esta a sabedoria da Páscoa: a vida triunfa!
A Páscoa é celebração da alegria: festa do otimismo. Ela nos faz pensar que são os otimistas que tocam o mundo pra frente, os pessimistas são espectadores. Os pessimistas quebram o entusiasmo vital com a desculpa de serem realistas. Realistas são os otimistas porque não olham só o túmulo, olham para o mistério de luz que vai além. O otimista sabe que até mesmo as coisas dolorosas devem ser envoltas pela luz da alegria, da vida.
A alegria da Páscoa é saber que o grão de trigo ao morrer gera uma vida, nova e poderosa, capaz de produzir muitos frutos. Aproveitemos a lição da Páscoa: Lição de alegria verdadeira, lição de sabedoria, capaz de perceber além do tempo, perceber que a vida teima sempre e acabará por vencer, pois, a última palavra não é da morte, mas da vida.